A DÚVIDA DE ANTÓNIO DAMÁSIO:SER CIENTISTA OU SER CINEASTA? FELIZMENTE PARA TODOS NÓS ESCOLHEU A PRIMEIRA por clara castilho

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Acabamos de saber que António Damásio recebeu mais um prémio, a acrescentar ao prémio Pessoa e o prémio Príncipe das Astúrias. Trata-se do Prémio Grawemeyer 2014 na área da Psicologia, reconhecendo o seu trabalho pela hipótese que apresentou sobre os marcadores somáticos, que mostra a forma como as emoções influenciam a tomada de decisões.

Trabalha em cooperação com sua mulher Hanna Damásio, dirigindo o Brain and Creativity Institute, na Califórnia. Por todo o mundo se lêem os seus livros, sobretudo O Erro de DescartesO Sentimento de Si, Ao Encontro de Espinosa, O Livro da Consciência. O papel da emoção e do sentimento na tomada de decisões, as emoções sociais ou a construção do cérebro consciente são os seus temas preferenciais.

Num Congresso em que o ouvi (Março, 2009) referiu que as acções são do meio interno e não ideias e que os sentimentos são ideias, cognição, ideias que temos sobre as acções, conscientes ou inconscientes.

Quanto às emoções, o trabalho sobre elas é sempre inconsciente, havendo uma fisiologia, mas só sendo conhecidas através do que passa para os sentimentos. Habitualmente olha-se para a consciência como a maneira de entrar dentro da mente, mas que é o contrário. A consciência é só uma parte mínima que está a “traduzir” parte da actividade mental, não sabemos nós tudo o que se está a passar. O que existe é um inconsciente que produz muitas das nossas actividades. O que recebemos são soluções que nos apontam caminhos, mas não são conscientes.

orson wells

Acontece que aos dezasseis anos, António Damásio queria ser realizador de cinema, influenciado por Hitchcock e Orson Welles, cineasta que conheceu em Lisboa, em 1964. Damásio contou ao Jornal O Público, numa entrevista em  Janeiro de 2013, a Anabela Mota Ribeiro, que tinha sabido que o realizador se encontrava em Lisboa, num hotel do Guincho. Enviou-lhe um telegrama dizendo que era estudante de medicina que escrevia crítica de cinema, pedindo-lhe uma entrevista, visto que muito o admirava. E Welles recebeu-o. Relembra o seu tamanho enorme e que o questionou sobre o que gostava dos seus filmes. Passaram uma tarde juntos, comeram marisco, ouviram Amália Rodrigues de quem ele tinha referência… O que o impressionou mais foi a sua grande simpatia, grande inteligência e simplicidade.

Felizmente, outra pessoa que marcou a fotografia em Portugal, também soube da sua estadia – Eduardo Gageiro.  E Orson Welles também terá sido “simpático”, dado que se deixou fotografar.

Todos ficámos a ganhar pelo facto de António Damásio se ter dedicado a estes estudos. Mas é preciso não esquecer que o fez fora de Portugal. Não sabemos  o que teria acontecido se não tivesse optado por aceitar os convites que lhe foram dirigidos.

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