É elementar reconhecer que quem não está bem informado dificilmente poderá fazer as melhores opções políticas. Nas auto-intituladas democracias que são as principais potências do Ocidente proclama-se a liberdade de imprensa, na informação em geral, mas ao mesmo procura-se condicionar a informação de modo a que não afecte os interesses das classes dominantes. Isso acontece não só ao nível nacional, mas também ao internacional. Veja-se, por exemplo, como há dificuldade em obter informação adequada sobre a América Latina e os problemas com que se debate. Ou então em acompanhar a situação na Palestina. Que tipo de regime vigora actualmente no Rússia? Porque será que a Al-Qaeda tem um tratamento diferente quando actua na Rússia, ou quando actua no Ocidente? O fanatismo religioso será apenas o islâmico? Quais as responsabilidades dos banqueiros na crise que levou à implementação das políticas de austeridade?
A própria comunicação social está imersa em mitos. A situação das televisões públicas, submetidas a toda a espécie de condicionamentos, é incompreensível para pessoas situadas em diferentes quadrantes. Entretanto, os principais órgãos de informação, nacionais e mundiais, estão sujeitos a pressões fortíssimas, das quais a menor não é com certeza a de serem adquiridos por alguém (com muito dinheiro, claro) cujo objectivo profundo é modificar a sua linha editorial.
Exemplar é o caso de The Guardian. Este jornal britânico tem passado por enormes dificuldades que já o obrigaram a suspender a sua edição diária em papel. Tem mantido a sua linha editorial, e uma qualidade de informação absolutamente ímpares no panorama actual. Isso valeu-lhe sérios problemas quando publicou elementos facultados por Edward Snowden. O seu director, Alan Rusbridger, foi chamado ao Parlamento, questionado sobre o seu patriotismo, acusado de violar a legislação antiterrorista, e teve de ouvir insinuações sobre eventuais traições à pátria.
Refere Walter Oppenheimer, num artigo publicado no El País de sábado passado, 7 de Novembro, esta convocação de Alan Rusbridger para comparecer no Parlamento, ocorrida no sábado passado, constitui o auge de uma campanha lançada contra The Guardian pelos serviços secretos, apoiada pela imprensa rival e pelo próprio primeiro ministro David Cameron, em conjunto com alguns deputados conservadores e mesmo trabalhistas. Mas The Guardian não se deixa intimidar. Vejam:
http://www.theguardian.com/world/2013/dec/09/edward-snowden-voted-guardian-person-of-year-2013

