A ESTUPIDEZ É UM CÃO FIEL – 51 – por Sérgio Madeira

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Capítulo cinquenta e um

Vendo Cecília a chorar Mary e Aníbal vieram saber se podiam ser úteis. Perante a notícia da morte de Manuel, ficaram também pesarosos. Segundo parecia, o pianista era estimado na ilha, comentou António.

– Sim, todos o achávamos uma boa pessoa – disse Mary.

– Quem o matou, talvez não estivesse de acordo – objectou Alfredo.

O tenente ofereceu-se para os levar ao hotel. Pela primeira vez António não regressou a pé. Aceitou a boleia, pois não se sentia com disposição para a caminhada.

Alfredo ia ao lado de Fragoso. Perguntou:

– Sabe o que é feito do tenente Simas?

– Capitão-tenente – corrigiu Fragoso. E acrescentou – foi promovido e passado à reserva.

– Eu não sabia que ele tinha sido substituído. E escrevo para aqui…

– Eu sei.

Alfredo voltou-se para trás e explicou a Cecília e a António:

– Escrevi ao tenente… ao capitão-tenente Simas, pedindo-lhe para te apoiar no que fosse necessário. Conheci-o numas férias de Inverno que aqui passei com a Ema. Grandes partidas de damas, nós jogáamos. Tive algum receio de que exagerasses no jogging e pudesse dar-te alguma…

– Felizmente não foi necessário, pois só abri a carta depois de ter conseguido contactar o Valdemar Simas e quando ele me pediu que a abrisse e lesse ao telefone já conhecia o Dr. Amaral devido ao que aconteceu.

– E ainda dizem que não há coincidências,,, – comentou Cecília.

O tenente passou o portão do hotel e parou junto  da recepção. Deixando o motor a trabalhar, veio abrir a porta a Cecília, despediu-se dos dois homens e partiu para o centro.

 No balcão da recepção, pediram as chaves.

Pela porta que dava acesso ao salão e ao caminho para a praia, entrou um homem numa cadeira de rodas com motor eléctrico. Mais de sessenta anos, cabelo muito branco. Vendo que Cecília queria passar, travou :

– Faça favor, minha senhora .- disse numa voz rouca.

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