Kazantip: sonho e realidade – por Octopus

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Pouco conhecido no   ocidente, Kazantip é um dos maiores festivais mundiais de musica, que junta   durante duas semanas 150 000 pessoas na Crimeia, republica autónoma da   Ucrânia. 24 horas por dia, a   festa faz-se ao som da música electrónica no meio de muito sol, praia,   álcool, droga e sexo. A meio caminho entre as festas de Ibiza e Woodstock,   este é o festival mais delirante do planeta. No país do faz de conta…  

A Crimeia sempre foi o   local de férias de eleição das elites russas e ucranianas. Com praias e   temperaturas de 40º no verão, é neste local que durante 15 dias em Agosto,   tem lugar anualmente o festival de Kazantip, em 60 000 metro quadrados de   praia.

Todo começou em 1992   quando um certo Nikita, presidente da associação de kitesurf, teve a ideia de   convidar DJs para animar as competições desportivas. Em 1997 teve a ideia de   organizar uma noite de musica techno no interior de uma central nuclear   abandonada. Em 2000 deslocou o festival anual para a praia de Popovka, onde   ainda se realiza, e chamou a essa zona a Republica laranja e independente   KaZantip.

Nikita Marshunok auto   proclamou-se presidente desta “república”, com o nome de Nikita I,   tem um hino que muda todos os anos e até uma constituição. Esta constituição   dita os direitos dos seus cidadãos: ser livre, acreditar nos milagres,   tornar-se na pessoa que nunca teria ter tido oportunidade de ser na vida real e   sobretudo ser positivo.

Neste mundo irreal   podemos-nos cruzar com mulheres bonitas e meio despidas nas areias das praias   ou dançando ao som da musica numa das 15 pistas de dança. A média de idade dos   participantes é de 25 anos, vindos sobretudo da Rússia e da Ucrânia, mas   também (10%) da Europa.

Hedonismo e drogas.

O artigo 15 da   constituição de Kazantip “encoraja o amor, em todos os seus aspectos,   excepto na promiscuidade”, no entanto podemos observar aqui e além   casais tendo relações sexuais sem se preocuparem com os passantes.

Este ambiente de conto   de fadas, com liberdade e felicidade para todos os participantes é realizado   à custa de muito álcool e apesar da organização o desmentir, à custa de   numerosas drogas que circulam durante o festival. As relações de Nikita com   as máfias locais é pouco clara, assim como com as autoridades locais que   fecham os olhos ao tráfico de droga durante o festival.

Um país onde   o milagre é o lucro.

Esta utopia também tem   um preço, e um preço elevado: cada ingresso custa 250 euros (quando o salário   médio na Ucrânea é de 240 euros) e as bebidas são caras. O seu   presidente-ditador, assim como os seus colaboradores tornaram-se milionários,   como testemunham os vinte ou trinta yachts ao largo de Kizantip.

O festival atrai cada   vez mais o jet-set de Moscovo e de São Petersburgo, mas também a máfia russa   que gere o tráfico de droga local e é atraída pela beleza das ucranianas alvo   fácil de futura prostituição.

O símbolo, desta   república da boa disposição, é uma mala amarela, que os que não têm a quantia   de dinheiro necessária para o ingresso no festival podem adquirir por um   preço modesto, com a obrigação de a transportarem constantemente consigo, sob   pena de exclusão do festival. As malas que vimos por todo o lado são a imagem   de marca de Kazantip.

Essa mala tem origem   num conto de fadas russo, em que um homem oferece rebuçados às crianças,   proveniente de uma mala e assim torna as crianças felizes. A moralidade é que   em Kazantip os que conseguem tornar os outros felizes recebem em troca   alegria e felicidade.

Infelizmente esta   “república” que preconiza a liberdade social, política e religiosa,   o desenvolvimento da democracia, da cultura da ordem e da felicidade, só pode   ser utópica. Trata-se no fundo de um festival entre a “rave” e a   orgia, onde circula muito álcool e droga patrocinada pela máfia local,   dirigido por um excêntrico e multi milionário que se intitula ele próprio ditador.

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