Parece existir um sentimento, que percorre transversalmente o leque das opções político partidárias, de que o professor Aníbal Cavaco Silva não corresponde em nenhum aspecto ao que se espera, ao que se exige, de um presidente da República. Para além de uma evidente e chocante incultura na área das ciências humanas, existem suspeitas de fragilidades biográficas que, no mínimo, deviam ser totalmente esclarecidas. Referimos duas – a de que assinou uma ficha de colaborador da PIDE e a de que beneficiou ínvia e pessoalmente com o ruinoso negócio do BPN.
Chega-nos uma petição onde se pede a demissão de Aníbal Cavaco Silva do cargo de presidente da República. Porém, o texto constitucional não prevê a demissão da mais alta magistratura da Nação. Só por morte, ou por qualquer doença que o impeça de exercer o cargo. A petição, que já tem bastante mais de 20 mil assinaturas e que pretende atingir as 100 mil, terá o valor simbólico de mostrar a existência de um numeroso grupo de cidadãos que rejeita este presidente. Mas apenas isso. E, no entanto, bastava que, como devia ter acontecido, houvesse um artigo na Lei Fundamental que impedisse o acesso ao cargo a cidadãos que tenham colaborado, como agentes ou como informadores, com a polícia política do regime deposto em 1974. Num outro editorial de há um ano, expúnhamos o assunto com algum pormenor:
http://aviagemdosargonautas.net/2012/12/12/editorial-cavaco-silva-colaborou-ou-nao-com-a-pide/
