FERNANDO PESSOA POR JOÃO VILLARET – 1 1– de Álvaro José Ferreira

Nota prévia:

Para ouvir os poemas de Fernando Pessoa recitados por João Villaret, há que aceder à página

http://nossaradio.blogspot.pt/2013/11/fernando-pessoa-por-joao-villaret.html

e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.

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Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda (*)

Poema de Álvaro de Campos (excerto de “Se te queres matar, porque não te queres matar?”, in “Poesias de Álvaro de Campos”, Nota editorial e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor, Lisboa: Ática, 1944)
Recitado por João Villaret (in EP “João Villaret Diz… António Botto – Fernando Pessoa – Mário de Sá Carneiro”, Parlophone/VC, 1964; LP “Procissão”, Valentim de Carvalho, 1978, reed. EMI-VC, 1991, Valentim de Carvalho/Som Livre, 2008)
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Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada…
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas…
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além…

Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido…
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia…

Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.
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26-4-1926

(*) Texto integral em: http://arquivopessoa.net/textos/4360
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José de Almada Negreiros, “Retrato de Fernando Pessoa”, 1935, desenho a tinta-da-china sobre papel.

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José de Almada Negreiros, “Retrato de Fernando Pessoa”, 1954, óleo sobre tela, 200 x 200 cm, Museu da Cidade, Lisboa.
Executado para o café-restaurante Irmãos Unidos, que fora frequentado por Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros e outros colaboradores da revista “Orpheu” (da qual apenas saíram dois números). Em 1970, na sequência do encerramento do estabelecimento, a peça foi adquirida pela firma Decorações Mitnitzky. No mesmo ano, foi exposta no Salão de Antiguidades, onde foi comprada pelo banqueiro Jorge de Brito que a ofereceu à Câmara Municipal de Lisboa, em sessão solene realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho onde esteve exposta até à sua incorporação no acervo do Museu da Cidade. Desde 1993, a obra encontra-se em exposição na Casa Fernando Pessoa.

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José de Almada Negreiros, “Retrato de Fernando Pessoa”, 1964, óleo sobre tela, 225 x 226 cm, Centro de Arte Moderna – Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.  Réplica simétrica do quadro anterior, pintado por encomenda da Fundação Calouste Gulbenkian, então presidida por José de Azeredo Perdigão.

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José de Almada Negreiros, Heterónimos de Fernando Pessoa: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, 1957-61, desenhos, pormenor da fachada gravada da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

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