Novas Viagens na Minha Terra – Série II – Capítulo 151

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Cinco quilómetros antes de Caldas passaremos por um albergue público onde os quartos são razoáveis, as casas de banho funcionais e a cozinha até autoriza uma massa… Claro que, para além de hortas, espigueiros e campos de flores, em Brialhos não há grande coisa para ver, imaginar, descobrir, ao contrário de Caldas de Reis que até tem uma fonte com água termal e um lavadouro para cozer os pés, se apenas isto quisermos referir sem falar das casas, dos pátios, dos palácios, das igrejas, do jardim botânico, da ponte que atravessa o rio Bermanha, sem falar sobretudo – no que me diz respeito – do parto de D. Urraca, que aqui deu ao povo o futuro D. Afonso VII, sim, esta mesma, a irmã de D. Teresa, a esposa de D. Raimundo de Borgonha, a tia de D. Afonso Henriques… (Os primórdios da história de Portugal também andaram por aqui, interessa-me portanto compreender o espaço, mesmo sabendo que muito terá entretanto mudado.)

É mais do que uma pena – uma falta de gosto – passar por Caldas de Reis com a mochila às costas; só as finlandesas, por uma se sentir doente, projetam fazê-lo. Eu hesito, hesito… Já provei a água das Burgas, já chapinhei no lavadouro, já passeei no jardim botânico e, após o duche, a lavagem da roupa, o jantar improvisado, é certo que não visitarei museus; vim para percorrer a pé, cada dia, uma etapa na direção de Santiago de Compostela, por conseguinte a história de arte, a história de Caldas e a história de Portugal ficam para a viagem turística que – é certo – hei de fazer através da Galiza. No Caminho de Santiago vê-se, vive-se o que não se pode ver e viver na viagem turística – e inversamente nesta poder-se-á aprofundar o que escapou ao Caminho de Santiago. Vou portanto dormir em Brialhos na próxima noite.

Pedirei todavia, quando amanhã passar em Caldas, que me guardem a mochila durante duas ou três horas; assim demoro-me mais um poco, volto a saborear a água quente, volto a comprar o sublime pão…  Sobrar-me-á mais do que o tempo necessário para percorrer o resto dos vinte e quatro quilómetros até Padrón.

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