´´PORQUE FALHAM AS NAÇÕES´´ – de DARON ACEMOGLU e JAMES A. ROBISON – UM PARECER DE DAVID NUNES

                          Parecer de David Nunes, sobre o Livro:

´´AS ORIGENS DO PODER, DA PROSPERIDADE E DA POBREZA ´´

 ´´PORQUE FALHAM AS NAÇÕES´´

                       De

                      DARON ACEMOGLU e JAMES A. ROBISON

                                                        Tradução de: Artur Lopes Cardoso

                                                                          Revisão de: João Pedro Tapada

          No presente livro, os seus autores propõem-se apresentar uma história da economia política, o que fazem de uma forma distinta daquela que normalmente é utilizada nas academias, porque mais simplificada.

          Esta tendência de simplificação das mais variadas áreas do saber, fazer e de estar, está na mais tradicional tendência americana, o que lhes tem criado condições de acréscimo de produtividade e, por conseguinte, maior rendimento relativamente a outras sociedades.

          Contudo, esta simplificação pode levar a que sejam menosprezadas ou esquecidas contribuições de estudos e análises, produzidas por estudiosos das mais variadas áreas do saber, que se debruçaram, ao longo dos tempos e de forma crítica, na confrontação das teorias com as realidades e que por sua vez, criaram novos modelos de análise da sociedade e seus desenvolvimentos possíveis.

          Também nós, leitores, devemos ler (estudar), sem nunca abandonar a análise crítica do que nos apresentam, confrontando com os conhecimentos previamente adquiridos e, se necessário, procurando outras fontes, que nos ajudem a esclarecer as dúvidas que se nos apresentam certos de que, ainda assim, a conclusão a que chegarmos, nunca será a última.

          Nas cerca de duzentas e cinquenta e sete páginas que compõem o livro, os autores propõem-se apresentar uma análise histórica da economia política mundial, do neolítico – cerca de 150.000 anos A.C. – até a presente data.

          Nesta análise os autores identificam, de forma simplificada, as causas que deram origem à criação de riqueza numas nações e a pobreza noutras.

          De acordo com os autores, as que conseguiram prosperar, tais como a Inglaterra, América, França, Japão e Alemanha, aproveitaram as condições favoráveis geradas pelos diferentes conflitos de interesses entre as elites, alcançando assim maiores níveis de desenvolvimento. Estas, com um estado politicamente forte, criaram instituições inclusivas e círculos virtuosos que garantiram condições para a posse da propriedade, liberdade criativa e desenvolvimento da agricultura e indústria. Criaram riqueza para as suas nações.

          Contrariamente, as nações que não tinham, nem conseguiram criar um estado centralizado forte, tais como o Lesoto e Congo, ou que, encontrando-se já sujeitas a instituições extractivas, como os territórios da América do Sul, foram sujeitas pelas elites que lhes ocuparam os territórios, a novas instituições extractivas, não prosperaram. Gerou-se um círculo vicioso, que perpetuou a existência destas instituições, criando assim – através da limitação do direito a propriedade, da liberdade criativa e industrialização – a pobreza, atendendo a que a pouca riqueza criada era destinada só às elites.

          O livro analisa a China, União Soviética, Cuba e Coreia do Norte (países governados por partidos comunistas), como nações que, estando sujeitas a instituições extractivas, tiveram e têm, por tempo limitado, um crescimento económico, que posteriormente abranda até extinguir-se. Tal ocorre porque as instituições não se tornaram inclusivas – por falta de direito de propriedade, liberdade criativa e desenvolvimento industrial.

          Apresenta ainda este livro, de forma muito resumida, a mesma análise aplicada a outros países, Portugal. Espanha, etc. sujeitos a outras particularidades económico-sociais, que não parece terem sido consideradas.

          A grande ênfase deste estudo, parece-me centrar-se na justificação da superioridade do sistema de economia de mercado – o sistema capitalista – sobre o de economia planificada, dito sistema comunista.

          Na minha óptica, o grande erro desta conclusão é o de condenar o sistema comunista, tal como o idealizou Karl Marx em conjunto com Engels que, na realidade, nunca foi implementado.

          Parece-me ainda que, o capitalismo, também não é o sistema equitativo e libertário da sociedade, que os autores nos pretendem fazer acreditar, pois a criação de riqueza, através deste sistema, está a ser concentrada numa pequena elite e as liberdades estão fortemente condicionadas ao grande capital monopolista internacional.

         Na minha opinião, o grande problema da humanidade consiste na falta de criação de instituições que garantam a efectiva distribuição da riqueza criada por todos, de forma proporcional e igualitária, sem elites.

          Hegel, pensador e filósofo, analisou a história dos povos ao longo dos tempos, chegando á conclusão de que o “caminhar dos povos” para uma liberdade e distribuição de riqueza igualitária por todos, está relacionado com a luta por mais liberdade, objectivo este entendido como utópico para alguns, necessário na minha opinião.

                                               Vila Franca de Xira 16 de Dezembro de 2013

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Nota – Sobre este livro foi publicado em A Viagem dos Argonautas, em 30 de Julho de 2013, um texto de Henrique Neto, a que se poderá ter acesso pelo link: http://aviagemdosargonautas.net/2013/07/30/por-henrique-neto/

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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