CONFISSÃO – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet
                                                                                                          

 Uma jovem de 23 anos ajoelhada junto ao confessionário.

– Perdoai-me Sr. Padre, esta não é propriamente uma confissão, é mais um desabafo e um pedido de ajuda.

– O que é que te atormenta, minha filha?

– A minha mãe quer, à força, que eu me case.

– É normal! As mães querem sempre que as filhas se casem para que a vida continue, uma geração depois da outra.

– Mas eu não gosto de quem quer casar comigo. Só em pensar nele a apalpar-me e fico toda arrepiada.

– Então as coisas complicam-se. E não gostas de nenhum outro rapaz?

– Gosto de muitos.

– Muitos, minha filha?

– Sim, muitos, camaradagem que vem da escola.

– Não estou a falar disso. Estou a perguntar se não gostas de um para ser teu marido.

– Sim, gosto de um. E muito.

– Quem é?

– Não posso dizer o nome.

– Não podes, porquê?

– Porque é segredo, por enquanto é segredo, depois eu conto.           

– Ocultar a verdade aos ministros de Deus, é pecado.

– Eu sei, eu sei. E chego a ter sonhos indecentes com ele, o que me assusta. E não apenas sonhos, também já começámos a apalpar o corpo um do outro, pecado da carne. É por isso que eu estou aqui a pedir ajuda. Já disse que não é confissão, é pedido de ajuda.

– Como é que posso ajudar-te se tudo escondes?

– De penitência eu quero ser freira.

– A vida religiosa não é penitência, é vocação. Portanto, para isso, não contes com a minha ajuda.

– E o Sr. Padre não pode pedir à minha mãe para desistir de me forçar a casar com quem ela quer?

– Sim, isso eu posso tentar.

A jovem benze-se e agradece:

– Bem haja por me aturar, Sr. Padre.

        – Vai com Deus, minha filha. Reflete e volta quando te sentires disposta a contar tudo. Tu precisas é confessar-te.                                           

– Eu sei, eu sei…

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