A MÃO DISTINGUIU-NOS NA EVOLUÇÃO DA ESPÉCIE. COM AS NOVAS TECNOLOGIAS QUE DELA VAMOS FAZER? por clara castilho

9349741_b7nUlNotícias recentes deixaram-nos de cabelos em pé. A Fisher-Price criou uma cadeira de bebé, mais precisam, uma espreguiçadeira (os bebés com um ano já não gostam de lá estar…) que traz um suporte para iPad. Minha alma está parva! Comentei com uma colega que me disse a gozer: “Pronto, já sabes o que comprar para o Natal do teu neto!”. Mas é é para chorar.

O pediatra Gomes Pedro disse ao Diário de Notícias, no dia 16, que ela pode funcionar como um “atentando à comunicação com bebé”.

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 “É mais um atentado à comunicação natural com o bebé numa altura em que precisa de comunicar e ter vínculos fortes”. Considerando que até poderá haver na vida dos bebés algum tempo de televisão ou associado a tecnologias, fez lembrar que o que está em cauda é aquilo que “alimenta” o desenvolvimento do bebé e não o que possa libertar os pais para realizar outras tarefas. É na comunicação que se podem construir os vínculos fortes com os pais, O entretenimento de novas tecnologias não vêm contribuir para a realização da “bolha sensorial” que envolve o bebé e lhe permite sentir-se o único do mundo, para depois dos pais se separar, com a introdução progressiva de novas personagens que irão sendo, progressivamente os elementos da sua comunidade.

Susan Linn, professora em Psiquiatria na Escola Médica de Harvard e directora Associada do Centro de Média Infantil Judge Baker, em Boston foi co-fundadora da Associação pelo Fim da Exploração Comercial Infantil. É internacionalmente conhecida por seus estudos sobre o tema do consumo infantil e por seu activismo contra os efeitos do marketing moderno nas crianças e nos jovens. Considera que para além de vender produtos e comportamentos, o marketing dirigido às crianças influencia seus valores e padrões de comportamento. Ele é um factor a ser considerado em muitos problemas da infância contemporânea, da obesidade infantil à erotização precoce. Um dos efeitos mais alarmantes da comercialização da infância é a diminuição da brincadeira que é o fundamento da aprendizagem, da criatividade, da solução problemas e da habilidade de dar sentido à vida.

Uma outra notícia tinha o titulo “Sabem mexer num iPad, mas não seguram um lápis, realçando que as crianças de hoje não conseguem levar a cabo pequenos exercícios de motricidade fina. E acrescento, relembrando o que escrevi no texto “uma nova geração de estudantes – os “polegarzinhos” que só exercitam os seus polegares.

No artigo survey finds majority of people disagree with iPads in nurseries, defende-se que a «intoxicação» com nova tecnologia, que faz com que alguns infantários invistam em iPads para bebés, faz com que haja crianças hoje em dia com dificuldades em aprender a ler e a escrever.

A Sue Palmer,  investigadora  desta área, explica que as crianças não conseguem focar-se em algo que leva mais tempo a aprender, em comparação com a gratificação quase instantânea que o sistema informático lhes oferece. Esta incapacidade de focar a atenção em algo pelo qual é preciso esperar, leva a comportamentos descritos como irrequietude que dificulta a aprendizagem.

Vamos trepar às árvores e esfolar os joelhos?

1 Comment

  1. * Ishhhhhhhhhhh…..que mundo este ?*

    *Vou repassar o artigo a amigos/amigas para se iniciar uma campanha de bom senso -pobres profs e educadores de infncia ! Maria *

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