Já não oferece dúvidas a ninguém, a não ser aos incautos ou aos ignorantes, que o mundo está cada vez mais nas mãos de uma aliança entre os estados e o grande capital. A compreensão deste fenómeno facilita, por sua vez, que se compreendam mais facilmente outros, também muito importantes: por que é que a dissolução da URSS foi tão fácil, por que é que o grande capital investe tanto na China comunista (parece que o seu governo ainda se apresenta como tal) e como se estão a dissolver tão depressa as conquistas sociais e civilizacionais mais importantes do segundo milénio, que são os sistemas educacionais, os serviços de saúde, a segurança social e outros. O respeito que as pessoas em geral nos merecem não impede que se reconheça que infelizmente os incautos e os ignorantes ainda são muito numerosos e que, por outro lado, muitos dos que se apercebem da existência e das implicações da existência desta grande coligação não a contestam, e inscrevem nas suas prioridades procurar estar em posição favorável para dela tirar partido.
Neste final de ano não será tempo perdido procurar reflectir um pouco sobre este assunto, e procurar ir mais longe na compreensão do fenómeno e na apreensão dos factos que dele derivam. Sugerimos que sigam o link abaixo:
Na realidade a grande coligação está a ser muito reforçada por outro aliado, que é o conhecimento científico altamente especializado no campo das tecnologias da informação e não só. Da posse deste conhecimento resultam grandes possibilidades, que são utilizadas e aperfeiçoadas como instrumento de poder sobre as populações em geral. O caso Wikileaks e as revelações de Edward Snowden permitiram a muita gente alargar o seu conhecimento sobre estas matérias, independentemente das opiniões que se possam ter sobre eles. Não é excessivo afirmar que lidar com esta grande coligação é o maior desafio que os defensores da democracia já defrontaram. Dirão alguns: o desafio não é novo. Mas tem de se responder: nunca foi tão grande, depois de se terem pressentido os progressos a que os sistemas democráticos podem conduzir a generalidade das pessoas. Seria criminoso não enfrentarmos o refluxo a que assistimos presentemente.

