EDITORIAL – UM CALENDÁRIO APERTADO

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Este ano vamos ter eleições europeias. Previstas para Junho, terão sido antecipadas para Maio ao que parece devido ao receio de que se repitam, ou mesmo de que se agravem, as elevadas taxas de abstenção verificadas em eleições anteriores. Esta preocupação não deriva obviamente de um sentimento democrático profundo que esteja eventualmente a acometer os elementos que integram o Conselho Europeu, ou a Comissão Europeia, mas sim do receio cada vez maior de que fique claro para toda a gente que o chamado projecto europeu está a naufragar inapelavelmente.

As eleições europeias, até á data, têm servido mais para exprimir descontentamento em relação à política interna dos vários países que integram a União Europeia, UE, do que propriamente para escolher políticas e parlamentares para a Europa. O pouco peso que tem o Parlamento Europeu, em comparação com a Comissão Europeia, em conjunto com a crise financeira, os problemas com o euro, o poder excessivo da Alemanha na UE e na zona euro, conjugado com a recusa de Merkel & Cia. de apoiar os países em crise, a ambiguidade britânica, o apagamento da França, todos estas questões formam um conjunto que leva muita gente a pôr em causa a viabilidade do projecto europeu, e mesmo a duvidar da possibilidade de algum dia haver um sentimento europeu entre a maioria da população.

Entretanto, sucede que Portugal se prepara para o fim do programa de assistência financeira, vulgo troika. Este programa tem servido vários fins e um deles, o principal, tem sido manter os portugueses num estado de permanente insegurança, para irem tolerando os excessos a que têm sido sujeitos sem grandes sobressaltos, a não ser o recurso à costumada válvula de escape, a emigração. Entretanto, o governo Passos/Portas acelera o seu programa de exacções, sob o pretexto de compensar as decisões do Tribunal Constitucional, e com o beneplácito de Cavaco Silva. Não vai querer obviamente tomar medidas de austeridade novas na véspera das eleições, para não dar a impressão lá fora de que está muito desautorizado. Assim, preparemo-nos para um início do ano muito pesado. O governo quer mais cortes e privatizações, para mostrar bom comportamento lá fora. E na véspera das eleições, vai pintar o céu e a terra de azul. Espera que muitos de nós acreditem que eles é que são bonzinhos. Ou então que só eles é que são capazes de falar com os sucessores da troika. Que vai haver sucessores, disso não duvidem. Pelo menos, com estes governantes.

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