EDITORIAL – O MÉDIO ORIENTE PRECISA DE ATENÇÃO

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O Médio Oriente é a região do nosso planeta que, grosso modo, fica entre o Mediterrâneo, o Golfo Pérsico, o Mar Vermelho e o Mar Cáspio.  Os povos que aí habitam são árabes, na sua maioria. Contudo, a população de alguns dos países ali situados, de grande significado e peso político, como é o caso da Turquia, do Irão e de Israel, tem outra ascendência. A religião predominante é o islamismo, mas outras religiões mantêm uma presença significativa. Os conflitos religiosos são enormes, e tendem a alargar-se. A instabilidade política predomina na maior parte dos países ali situados, com a excepção das chamadas monarquias do Golfo e da Arábia Saudita, talvez os mais tradicionalistas da região. O clima é geralmente seco, e os desertos extensos. Contudo nasceram ali algumas das maiores civilizações da história.

A importância estratégica e a existência de grandes reservas petrolíferas trazem constantemente o Médio Oriente para a ribalta. Desde a desagregação do Império Otomano, no fim da primeira guerra mundial, que a instabilidade política é ali uma constante, e a implantação do estado de Israel não parece ter contribuído para a minorar, pelo contrário. Regiões vizinhas, como o Norte de África, o Sahel e o Cáucaso, são fortemente afectadas pelo que ali se passa.

Não é o Médio Oriente a única região do globo com sérios problemas de estabilidade. No Extremo Oriente, o ressurgimento nacionalista no Japão parece estar a levar a um confronto com a China. A divisão entre as Coreias parece eternizar-se. No Leste da Europa, parece que as orientações políticas dominantes apostam na manutenção ali de um foco de tensão, na continuidade da guerra fria do pós segunda guerra mundial. O ressurgimento da extrema direita, dos nacionalismos exacerbados e do fascismo fazem prever ali o aumento de tensões, numa escala bastante maior do que se poderia pensar ainda há poucos anos. Contudo o Médio Oriente vai continuar na ordem do dia. Até porque dali e dos países vizinhos são oriundos muitos, talvez mesmo a maioria dos emigrantes e refugiados que demandam a velha Europa.

Qual tem sido o papel das políticas dos chamados países ocidentais? É óbvio que a sua postura não tem contribuído para resolver os conflitos, antes os tem agravado. As intervenções militares, ao nível da política da canhoneira, o apoio incondicional da Israel, que se mantém, apesar de todas as tentativas de camuflagem, a falta de demarcação perante as rivalidades religiosas e políticas locais, o que tem agravado conflitos como o da Síria, ou favorecido políticas de opressão, como no caso de Marrocos no Sahara Ocidental ou de Israel na Palestina e atitudes perfeitamente reaccionárias como no caso da (não) admissão da Turquia na União Europeia, com a justificação que se trata de um país não cristão. Uma revisão urgente destas políticas é o mínimo que se pode exigir.

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