
Alto, Biarni estava. Tinha um querer muito forte. Mesmo sem abrir a boca fazia-se ouvir, avassalava:
– Frigia!
Se ela tardava a subir, ele voltava a articular o silêncio:
– Frigia!
No meio da bruma passei mensagem à minha irmã, foge que ele vai estraçalhar-te! Não a captou ou não quis captá-la, estava com o cio. Subiu, ela subia sempre, não conseguia resistir a um segundo apelo. E ele mandava:
– Deita-te!
Ela tentava resistir, que havia gente a chegar à Casa Grande, que não era a altura mais conveniente para os jogos de cama. E nem cama havia no gabinete da torrinha, apenas um sofá.
Ele tomava-a em seus braços, rasgava-lhe a roupa toda, brusquidão. Em silêncio a possuía. Como era dantes o teu corpo? Alvo, branco, pálido, a cor dominante e intocável? Cala-te, não me respondas. Isso, morde os lábios para não gemeres. Os teus lábios finos, os teus cabelos louros, os olhos verdes, os teus seios de alabastro, o teu ventre morno, alvo sei que foi, o raro, o precioso, o ansiado, não quero que gemas, em silêncio sofre o ferro com que te mato, abre, cede, viverei!
Frigia levantava-se, exaustão. Teria que ir depois ao quarto para se lavar e mudar de roupa. E ele então dizia:
– Vais ter um outro filho meu. Um outro rapaz.
Ela contrariava, começava a recuperar a altivez:
– Talvez seja uma menina…
Ele impunha:
– Vai ser um rapaz, eu é que sei.
In A COR DOS HOMENS
