CIO – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

                                                                                                          

          Alto, Biarni estava. Tinha um querer muito forte. Mesmo sem abrir a boca fazia-se ouvir, avassalava:

        – Frigia!

        Se ela tardava a subir, ele voltava a articular o silêncio:   

        – Frigia!

No meio da bruma passei mensagem à minha irmã, foge que ele vai estraçalhar-te! Não a captou ou não quis captá-la, estava com o cio. Subiu, ela subia sempre, não conseguia resistir a um segundo apelo. E ele mandava:

        – Deita-te!

        Ela tentava resistir, que havia gente a chegar à Casa Grande, que não era a altura mais conveniente para os jogos de cama. E nem cama havia no gabinete da torrinha, apenas um sofá.

Ele tomava-a em seus braços, rasgava-lhe a roupa toda, brusquidão. Em silêncio a possuía. Como era dantes o teu corpo? Alvo, branco, pálido, a cor dominante e intocável? Cala-te, não me respondas. Isso, morde os lábios para não gemeres. Os teus lábios finos, os teus cabelos louros, os olhos verdes, os teus seios de alabastro, o teu ventre morno, alvo sei que foi, o raro, o precioso, o ansiado, não quero que gemas, em silêncio sofre o ferro com que te mato, abre, cede, viverei!

        Frigia levantava-se, exaustão. Teria que ir depois ao quarto para se lavar e mudar de roupa.  E ele então dizia:

        – Vais ter um outro filho meu. Um outro rapaz.

Ela contrariava, começava a recuperar a altivez:

        – Talvez seja uma menina…

        Ele impunha:

        – Vai ser um rapaz, eu é que sei. 

In A COR DOS HOMENS

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