RETRATOS COM HISTÓRIAS – JOSÉ GOMES FERREIRA – POR EDUARDO GAGEIRO

Imagem1Imagem1

José Gomes Ferreira. 1982.”Após a entrevista, já numa conversa informal, na conversa com o jornalista, apanhei-o assim.”

Em 1982, quando do II Congresso dos Escritores Portugueses, após termos assistido, em Cascais, a uma récita teatral, na ceia que encerrava o congresso, fiquei na mesma mesa que José Gomes Ferreira que não conhecia pessoalmente. Disse-lhe da grande admiração que tinha pela sua obra e então não é que se lembrava de um texto meu que a Vértice publicara em 1964 –O Universo dos humilhados na obra de José Gomes Ferreira”? Para mim, esta conversa, foi o momento mais importante de todo o congresso!  José Gomes Ferreira, para além de outros atributos, possui, a meu ver,  o grande mérito de não ser facilmente etiquetado – na sua obra cruzaram-se três correntes, sem que se possa ligá-lo a qualquer delas: o eco da matriz saudosista que lhe ficou da iniciação com Leonardo Coimbra, a atracção pela forma insolitamente bela, transgressiva e onírica do surrealismo e o apelo constante do conteúdo humanista do realismo socialista ou, como se chamou entre nós, do neo-realismo. Esta miscigénese deu lugar a uma escrita muito pessoal e original, muito fora das escolas e das classificações que os “bem-pensantes” usam como prótese, alguma crítica literária utiliza como bússola e o método de análise académica como bengala. (CL)

Leave a Reply