Novas Viagens na Minha Terra – Série II – Capítulo 169 – por Manuela Degerine

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 Partida

A esta hora matinal as ruas do centro encontram-se desertas, por consequência aproveito para deambular em Santiago de Compostela. Bebo uma espécie de galão dessorado num lugar que serve churros ao pequeno almoço e recomeço – às onze horas – a caminhada.

A primeira etapa no Caminho de Finisterra é composta por vinte e um quilómetros de subidas e descidas: mais cansativos do que se fossem trinta. Eis algumas altitudes: Santiago de Compostela (253m), Ponte Sarela (203m), Sarela de Baixo (221m), Carbalhal (159m), Alto do Vento (176m), Augapesada (58m), Alto do Mar de Ovelhas (272m), Barca (145m), A Chancela (182m), Negreira (164m). Claro que não são os Himalaias de Alexandra David-Neel… Mas para hoje basta.

No ano passado todas as descidas me eram dolorosas, porém a do Alto do Vento a Augapesada, por ser longa, cerca de três quilómetros, perdura na memória do corpo: seis mil passos que foram seis mil dores.

Este ano tudo vai por enquanto bem. Comprei um par de peúgas grossas que amortece a fricção na bolha do pé, a qual há de sarar sem incomodar, vou portanto radiante de otimismo. Os clientes do albergue que percorreram o Caminho Francês, habituados à competição para encontrarem cama, pois o itinerário tem demasiados andarilhos: já lá estão a estas horas. Eu não me apresso.

Faço a primeira paragem na Carvalheira de S. Lourenço para instalar o impermeável por cima da mochila: começa a chover. A partir daqui o caminho torna-se campestre. Passo Ponte Sarelas, subo pelo bosque, volto-me para ver a catedral… Regressarei a Santiago de Compostela na próxima sexta-feira mas situo-me a uma distância do regresso que não cabe no tempo nem no espaço comuns. E este paradoxo oferece-me um imenso sentimento de liberdade.

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