CARTA DE VENEZA – 71 – “A FIAT conquista a América de Obama“ – por Sílvio Castro

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                A operação financeira, realizada nos momentos finais do ano de 2013 entre Turim e Detroit com a compra da americana Chrysler pela Fiat, tem muito de excepcional e cria a nova multinacional, Fiat-Chrysler. Excepcional se se pensa ao difícil momento porque passa a economia italiana, em seio àquele outro igualmente grave do Euro.

Ainda que em festas nesses primeiros dias de janeiro de 2014

pela entrada do 18° membro da União, a Letônia, na sua área enquanto moeda única, o Euro continua sua trajetória difícil entre as grandes moedas mundiais. Enquanto os membros menores da conturbada Ue se rejubilam pela existência do Euro, muitos daqueles maiores manifestam sobre o mesmo argumento reações muito diversas. De tudo isso, deriva a aflita situação em que vive a maioria dos 27 membros atuais da União.

                Assim, quando o administrador-geral da Fiat, Sérgio Marchione anuncia a fusão da empresa americana com aquela turinese, a surpresa é geral e não só na Itália.

                A partir de agora a Chrysler pertence inteiramente à Fiat. Assim estabeleceu o acordo que Marchione conseguiu realizar com o sindicato Veba, da empresa USA. Por este acordo, a família Agnelli nem mesmo tem necessidade de aumentar o capital Fiat. Isto porque, em síntese, a quota Veba, do custo total de 4,300 bilhões de dólares, por pagamento cash, a Fiat entrará com diretamente tão só (por modo de dizer…) 1,750 bilhões; a Chrysler por outros 1,100 bilhões, e 700 milhões pela nova sociedade que nascerá como resultado da fusão entre Fiat e Chrysler.

                Vai recordada a importância em toda essa histórica operação que, desde 2009, a Fiat-Chrysler tem no mercado automobilístico latino-americano um de seus centros produtores principais, especialmente no Brasil. Mas a presença Fiat em Betim, no Estado brasileiro de Minas Gerais, é de data muito anterior ao acordo agora concluído. Este estabelecimento, o Fiasa, quanto ao número de empregados é o segundo núcleo da grande empresa internacional, com 9.673, inferior somente àquele de Detroit (Michigan), 12.015 dependentes.

                O prosseguimento do sucesso Fiat no mercado automobilístico no atual Brasil de continuados progressos – com a verificação do mesmo sucesso, ainda que em números menores, no México e na Argentina – poderá garantir segurança à nova multi-nacional que deverá permanecer estavelmente na Itália, como sua sede principal.

                Sérgio Marchioni não sempre vem reconhecido na Itália como um empresário respeitoso das tradições sindicalistas do país. Às mais das vezes ele se comportou como um administrador sem raízes, ferindo profundamente as normas que regulam as normas entre empresas-operários, normas que surgem com a revolução sindicala imediatamente em seguida à criação da República italiana. Marchione é um típico representante do capitalismo liberista contemporâneo, porém sendo igualmente capaz de compreender quais os momentos melhores para as suas, em geral, discutidas ações.

Porém, agora, com a sua última brilhante operação, o

administrador-geral Fiat conquistou a América. Mas, não uma América qualquer, mas aquela atual de Barack Obama que, debaixo de muitas lutas, está conseguindo transformar em vários pontos a mentalidade estadunidense.

A liberdade geral aspirada por Obama se baseia num teorema

muito difícil para o indivíduo USA: no lugar da anterior arrogância de superioridade em todos os setores, até mesmo naqueles referentes às subjetividades individuais, o moderno Presidente americano predica um respeito universal, pelo qual os homens vêm reconhecidos meritórios mesmo se em aparentes contradições expressivas em relação àquelas dos americanos. Obama, bem ou mal que seja, os está levando a uma desconhecida umildade em face aos seus semelhantes.

                Por isso mesmo, desde a primeira vitória eleitoral de Barack, em 2008, surge um seu apôio ao início das relaçoes entre Turim e Detroit. Esta tendência cresce mais ainda com a conquista do  segundo mandato presidencial do lider democrático, em 2012.

Agora, quando os USA, fecham o 2013 com a retomada de um

equilíbrio sócio-econômico que os livra da recessão, Marchione atinge com feliz conclusão as suas metas.

                Tudo isso possivelmente não seria possível alguns anos atrás, antes do primeiro Obama. Isto porque, presidentes como Reagan e Bush Junior, em particular este último, tinham sempre a grande preocupação de não mostrar a América como um país sem uma constante e poderosa manifestação de uma vontade decisional, mesmo quando em confrontos individuais…

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