TESTAMENTO – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

 

Alguém escreveu:

 

Petrópolis, 11 de Fevereiro de 1917 – De manhã entrou em coma. Às 9 da noite morre o meu amigo Osvaldo Cruz. O homem que saneou o Brasil, o vencedor de pestes e maleitas tinha apenas 45 anos. Gastou-se a defender a saúde dos seus compatriotas. Estes nem sempre o compreenderam, frequentemente o hostilizaram. Gastaram-no.

 

No seu testamento Osvaldo pede:

 

– Evite a minha família a cena penosa de vestir meu corpo, bastará envolvê-lo num lençol.

– Também não faça convites para o meu funeral, nem quero missa do sétimo dia.

– A minha família não deve vestir-se de preto, o luto está nos corações, nunca nas roupas. Além do mais, no nosso clima, roupas pretas são anti-higiénicas.

– A morte é fenómeno fisiológico naturalíssimo, ao qual nada escapa. A minha família não deve prolongar a amargura pela minha ausência, é preciso que nos conformemos com os ditames da natureza. Que passeiem, que se divirtam, que procurem diversões, teatros, festas, viagens, que ajudem o tempo na benfazeja obra de fazer esquecer.

Era assim, o meu amigo Osvaldo Cruz.

1 Comment

  1. Quanta sabedoria e desprendimento nesse cientista sério, incompreendido, sofrido, mas tão valioso para o seu país, e tão prematuramente ceifado pela morte. Hoje um homem de 45 anos parece ( e às vezes até comporta-se como se fosse ) um adolescente..
    Obrigada, Fernando Correia da Silva!
    abraço da
    Rachel Gutiérrez

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