EDITORIAL – OS CORTES NA INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SERVEM PARA POUPAR DINHEIRO, E NÃO SÓ.

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Os cortes do governo Passos/Portas atingiram agora a investigação e Desenvolvimento, nomeadamente as bolsas atingidas pela FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia, para doutoramentos e pós-doutoramentos. A área mais atingida foi a da sociologia, em que a taxa de atribuição de bolsas ficou abaixo dos 10% do total de candidaturas, meta que terá sido fixada pela própria FCT, enquanto que em ciências biológicas e ciência e engenharia dos computadores ultrapassou os 15 e os 17%.  Entretanto elementos do júri de sociologia queixaram-se de que teria havido alterações em relação aos resultados a que tinham chegado, posteriores às conclusões apresentadas, alterações essas da responsabilidade dos serviços da FCT. A coordenadora e um dos elementos do júri, na sequência destes factos, apresentaram as respectivas demissões do painel respectivo, recusando-se a participar na avaliação das reclamações, na fase de recurso dos resultados. Poderão obter mais elementos nos links abaixo:

http://www.precariosinflexiveis.org/?p=9449

http://www.publico.pt/ciencia/noticia/doze-avaliadores-de-bolsas-da-fct-acusam-fundacao-de-falta-de-transparencia-no-ultimo-concurso-1620742

Para além dos cortes na despesa, há que destacar também a incidência maior na área da sociologia. A APS – Associação Portuguesa de Sociologia também chama a atenção para o facto, como se pode verificar pelas notícias dos links acima.

É conhecido o receio, para não falar em aversão, que em certos meios mais conservadores e reaccionários se evidencia contra o ensino das ciências sociais. Se, de um modo geral, as universidades constituem sempre um centro de inovação, não só em relação às matérias que ensinam, como também em relação à sociedade em geral, o que para certas mentes equivale logo a subversão, em relação às escolas de ciências sociais os receios dessas mentes são em muito maior escala. Recordam, a propósito ou não, o Maio de 1968, a crise académica de 1962, e outros acontecimentos. Bem sabem o perigo (para eles e para a classe social a que pertencem) que constitui os jovens analisarem e reflectirem sobre as problemáticas que afectam a sociedade em que vivem.

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