RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Saltam as rolhas do caro champagne em Lisboa porque a crise acabou, disparam-se os primeiros tiros de bazuca a partir dos mercados financeiros porque a crise se intensificou

Júlio Marques Mota

PARTE IX
(CONTINUAÇÃO)

Concepção errada nº 3: A troca de títulos de maturidades diferentes foi um sucesso 

• Em Outubro de 2012, Portugal trocou €3,8 mil milhões de dívidas que iam vencer em 2013 e empurrou esses passivos para 2015. Em Dezembro de 2013, Portugal empurrou novamente esses mesmos €3,8 mil milhões de passivos para 2017 e 2018 juntamente com €2,9 mil milhões de outros passivos de 2014 e 2015

• Enquanto esta substituição-renovação da dívida ajuda a reduzir as necessidades de financiamento a curto prazo, ele envia um sinal negativo pelo menos igualmente forte que Portugal está a tentar evitar o pagamento de sua dívida a tempo e está tentar resolver o serviço da sua dívida por fazer continuamente emissão de nova dívida – violação esta que é conhecida por esquema de Ponzi, ou em português de Dona Branca.

Figura XXVI – Swap’s

bazuca - XXX

Concepção errada nº 4: Um corte na dívida assumido pelos credores privados, um PSI, em Portugal levaria à recapitalização da banca

Um PSI aplicado à dívida pública portuguesa não levará a uma grande recapitalização da banca portuguesa

• 43% dos activos soberanos dos bancos portugueses estão sob a forma de títulos de curto prazo, o que seria imune a um PSI

• Assumindo uma redução de 50% para o valor do principal em títulos soberanos portugueses geraria uma perda após impostos de €5,1 mil milhões, mas os bancos já constituíram reservas compensatórias para esse efeito no valor de €3,7 mil milhões como parte dos testes de resistência de EBA, deixando uma um vazio da diferença ou seja de apenas €1,4 mil milhões ou ainda apenas de 0,4% dos activos dos bancos portugueses.

Tabela EPSI aplicado à dívida pública portuguesa

bazuca - XXXI

         Concepção errada nº 5: Um PSI em Portugal criaria risco de contágio

Nenhum risco de contágio através do canal bancário

• Bancos europeus e não europeus reduziram as carteiras de títulos em títulos da dívida pública portuguesa ao longo destes três últimos anos para menos de €10 mil milhões

Source: European Banking Authority, Bloomberg OMTs Protect Against Contagion

• O programa das OMT foi concebido e tem tido sucesso em prevenir o risco de contágio, como se prova desde o corte no valor dos depósitos em Chipre, que não teve nenhum contágio perceptível, pelo menos esse, em países europeus periféricos ou bancos.

Figura XXVII Holdings bancárias não domésticas de dívida soberana portuguesa

 bazuca - XXXII

              Concepção errada nº 6: Portugal não anda a esconder dívida

A dívida das parcerias público-privadas é verdadeira e é elevada

• Portugal tem um dos maiores programas de parcerias (PPP) do mundo, com investimentos acumulados de cerca de 15% do PIB

• O impacto orçamental é de 1% do PIB em 2014, mas os pagamentos até 2040 somam €16 mil milhões ou seja 10% do PIB.

Fonte: IMF, Ministry of Finance of Portugal Unconsolidated State-Owned-Enterprise Debt Is Real and High

Figura XXVII Parcerias público-privadas (PPP)- Despesas a serem pagas pelo governo

bazuca - XXXIII

A não consolidação da dívida das empresas na mão do Estado representa 9% do PIB, ou seja, 14 mil milhões de euros.

• As normas de contabilidade pública e ESA 2010, em 2014 podem levar à sua inclusão na dívida pública.

 

Figura XXVIII Dívida (SOE) não consolidada

 bazuca - XXXIV (continua)

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Para ler a Parte VIII deste texto de Júlio Marques Mota, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

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