RECORDANDO JACQUES PRÉVERT – por Clara Castilho

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Jacques Prévert, poeta e guionista francês,  nasceu em 4 de Fevereiro de 1900 (morreu em 11 de Abril de 1977). O grande sucesso de Paroles, publicado em 1946, transformou-o num poeta com grande popularidade. Como guionista, trabalhou essencialmente com dois realizadores – Jean Renoir e Marcel Carné. É este escritor que Clara Castilho evoca no Livro & Livros de hoje.

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Jacques Prévert, a sua primeira esposae Simone, André Breton e Pierre Prévert, em 1925, © Mairie de Paris

Poeta ligado ao movimento surrealista, os usos e costumes da burguesia, o clero, a igreja foram os seus alvos favoritos… e quão actuais! Vale a pena mergulhar mais na sua obra! Fico ouvindo e dizendo as palavras, agora descobertas na minha memória – minha mãe era grande fã, tanto de Prévert, como de Ives Montand e o início da canção despertou a lembrança que desconhecia.

PADRE – NOSSO

Padre nosso que estais no céu

Permanecei lá

Que nós ficaremos pela terra

Que é algumas vezes tão bela

Com os mistérios de Nova Iorque

E ainda os mistérios de Paris

Que se equivalem ao da Trindade

Com o pequeno canal de Ourcq

A grande muralha da China

O rio de Morlaix

Os confeitos de Cambrai

Com o oceano Pacífico

E as duas fontes das Tulherias

Com os bons meninos e os caras maus

Com todas as maravilhas do mundo

Que estão aqui

Na terra simplesmente

De graça para todo o mundo

Espalhadas

Maravilhadas elas mesmas por serem tais maravilhas

Mas que não ousam confessá-lo

Como uma bela moça nua que não ousa se mostrar

Com as assustadoras desgraças do mundo

Que são legião

Com os legionários

Com os torcionários

Com os patrões deste mundo

Os patrões com os seus padres poltrões e

Mercenários

Com as estações

Com os anos

Com as belas moças e com os velhos chatos

Com a palha da miséria apodrecendo no aço

Dos canhões.

 

(Jacques Prévert – Poemas , tradução de Silviano Santiago, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1985)

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