ANDAMOS NAS ESCOLAS SECUNDÁRIAS A TRAVAR O BULLYING PARA DEPOIS ADMITIRMOS AS PRAXES? Por clara castilho

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Anda aqui um grande contras-senso.

Sabemos que o bullying se traduz num conjunto de comportamentos agressivos, intencionais, continuados e repetitivos, levados a cabo por um ou mais alunos contra outro ou outros. Esta violência é gratuita, não resultando de qualquer tipo de agressão ou ameaça prévia.

Manifesta-se através de insultos, piadas, gozações, apelidos cruéis, ridicularizações, entre outros. É uma forma de pressão social que acarreta muitos traumas na vida dos alunos que diariamente convivem com esta realidade.

 Várias instituições percorrem as escolas, trabalhando com as crianças no sentido de prevenirem estas situações e  alertando os adultos implicados – professores e pais – para os sinais de alerta.

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E depois, paradoxalmente, admitem-se as praxes nas universidades.

O último caso, o do Meco, tam feito correr rios de tinta, mas também  podemos lembrar outras situações, igualmente mediáticas, ficando por relatar as que não foram contadas:

– a morte em Famalicão de um aluno e a condição de outros dois ficarem paraplégicos, numa praxe em 2008.

–  o caso de Ana Santos aluna da Escola Superior Agrária de Santarém, em 2002.

–  o Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros que foi condenado a pagar 40 mil euros a uma estudante vítima de actos “degradantes e humilhantes”.

 – a morte do aluno Diogo Macedo da Universidade Lusíada de Vila Nova de Famalicão,  em 2001, devido a pancada na nuca e em que, no ano passado, o Supremo Tribunal de Justiça condenou a Lusíada a pagar cerca de 91 mil euros por danos morais.

Anda no ar a frase “As praxes educam para o fascismo”. Todos se pronunciam. Pacheco Pereira disse que “o único conteúdo da praxe é o da ordem e do respeito pela ordem, assente na hierarquia do ano do curso”. Miguel Sousa Tavares afirmou que as praxes são “imbecilidades pró-nazis” e que, no seu tempo, “era uma vergonha ter 30 anos e ainda estar a estudar”.

Correu um manifesto que considerou a praxe “atentatória dos princípios básicos da educação superior, das relações humanas baseadas na igualdade e no respeito mútuo e até do desenvolvimento saudável da personalidade”.

De facto, as praxes pressupõem uma hierarquia, logo, uma imposição. A condição prévia é estar matriculado numa faculdade, logo a faculdade também tem que ser responsabilizada por tais actos por permitir que essa relação de poder seja estabelecida.  Para além do já referido verifica-se assédio sexual, com uma visão de submissão da mulher e palavras de ordem machistas e ofensivas.

Só se é praxado quem o admite. E é sobre estes que temos que nos debruçar. Que os outros, os que querem mandar e subjugar, esses temos de os tratar de outra maneira…

Deixo um video da APAV sobre o bulling que sintetiza a atitude a tomar.

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