O envio dos quadros de Miró para serem leiloados em Inglaterra é apenas um exemplo do que se passa neste país: despachar tudo o que valha dois patacos sem mesmo se analisar minimamente se se está a usar o melhor processo para fazer dinheiro. Entretanto, hipoteca-se a toda a velocidade o futuro do país cortando nas verbas para investigação, como foi o caso das bolsas para doutoramento e pós-doutoramento a atribuir pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Os cortes a outro nível, no ensino público, no serviço nacional de saúde, são feitos segundo o mesmo critério. Nas verbas para as PPP, nas rendas para as empresas que exploram as auto-estradas ou no sector energético é que parece haver dúvidas em cortar; tem havido alguns cortes, mas obviamente são mais para cosmética.
A privatização da Caixa Seguros, a entrada na Guiné Equatorial no capital do BANIF e a entrega dos Estaleiros de Viana do Castelo a quem obviamente está pouco vocacionado para os explorar, com poucas diferenças, obedecem às mesmas finalidades: ir fazendo uns dinheiritos para tapar uns buracos, a maioria da banca privada ou a ela ligados, e colocar tudo nas mãos de gente de confiança. Um está em falência técnica; outro é de um país com um estratégia político-económica muito própria, que não será a nossa; mais outro é de um país que não respeita os direitos humanos; nada disso interessa. O que faz falta é vir pilim, que não é para compensar os pensionistas, nem para emprestar às PME, ou para evitar mais encerramentos de serviços públicos. É para a finança, que quer ter este país bem na mão.

