PRECÁRIOS INFLEXÍVEIS – 75% DOS TRABALHADORES TEMPORÁRIOS GANHA MENOS DE 600 €

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10 de Fevereiro de 2014 

O trabalho temporário está a explodir, como é visível pelo florescimento de empresas de trabalho temporário que até já se lançam sobre a possibilidade de poderem substituir o IEFP e ficarem com mais de um milhão de desempregados nas suas mãos. Entre 2009 e 2012 o trabalho temporário aumentou em 40%, sendo hoje já mais de 313 mil pessoas a trabalhar desta forma precária. Os salários, por outro lado, evoluíram na razão inversa e hoje os trabalhadores temporários ganham muito menos do que há três anos. Apenas 3% ganha mais do que 1000€ por mês e 75% ganha menos de 600€.

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Em 2009 existiam 223 mil trabalhadores temporários nas estatísticas oficiais do INE. Em 2012 já eram 313.447, dos quais 234 mil (75,3%) ganhavam menos de 600€ e 100 mil (32%) ganhavam o salário mínimo nacional. O salário médio em 2012 era de 582€, menos 7 euros do que em 2011.

O trabalho temporário é a ferramenta de eleição de Governo e patrões para a compressão salarial e a precarização do trabalho. Quanto mais trabalhadores precários e desempregados, mais baixa o salário e mais aumentam as taxas de extracção da mais-valia do trabalho por parte dos empregadores. O novo modelo social e laboral desenhado no regime da troika tem no trabalho temporário e nas ETT uma ferramenta importante, que visará substituir a médio prazo os falsos recibos verdes, com um enquadramento legal que lhe dá uma aparência de legalidade quando as empresas multinacionais que o promovem têm como negócio apenas ficar com o salário dos trabalhadores, geralmente acima de 50% do salário.

O resultado é um trabalho caro (os custos reais salariais serão o dobro daquilo que os trabalhadores recebem), altamente exploratório e sem compensação para os trabalhadores, com desmantelamento da sua protecção e instabilidade total, uma vez que os contratos podem chegar a ser de dias, quando não mesmo de horas, expondo quem trabalha à chantagem permanente do desemprego. O objectivo é destruir salários e vidas.

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1 Comment

  1. Para as empresas, o trabalho não é um custo. Custo são os impostos e taxas que empresa e trabalhador são obrigados a entregar ao estado, Em resumo, a fraca produditivade macional não se deve nem aos trabalhadores nem aos empresários, mas a uma política de impostos absolutamente abstrusa, que recaí sobre todos os agentes económicos.
    Em Portugal, o empobrecimento deve-se aos políticos e ao estado.

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