EDITORIAL – AS ROTAS COMERCIAIS

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Há dias saíram notícias sobre problemas ocorridos no decurso das obras de alargamento do Canal do Panamá. Esta questão, que a alguns portugueses parecerá longínqua, tem contudo interesse relevante para o nosso país. Poderá significar que mercadorias vindas por mar da China e do Japão, por exemplo, possam chegar em menos tempo a Sines. Ora leiam esta notícia já com mais de seis meses:

http://economico.sapo.pt/noticias/canal-do-panama-elege-sines-para-porto-europeu-prioritario_174410.html

As obras em curso estão ameaçadas por problemas relacionados com conflitos entre o consórcio internacional responsável pelas obras e a Autoridade do Canal do Panamá. Foi recusada a mediação da Comissão Europeia. Sem vos querer massacrar com notícias, leiam este artigo, saído hoje, no nosso Diário de Notícias:

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3642604

Contudo, atrás vêm outras questões. Vejamos a situação de Sines no seu conjunto. A questão do canal do Panamá é muito importante, claro, e merece ser tratada com o devido destaque, e não passar à pressa pelos telejornais (passou?) e escondida nalgum recanto menos à vista dos jornais. Com certeza. Mas do ponto de vista de Portugal, é preciso olhar para outras questões: como estão as ligações de Sines à Europa? É sabido que os importantes investimentos feitos naquele porto oceânico, para serem rentabilizados requerem a uniformização das bitolas ferroviárias de Portugal e Espanha, não só entre si, mas também com a da Europa. E o TGV? Como vai esse assunto? Se será excessivo um TGV de luxo, como, ao que parece, chegou a ser planeado por José Sócrates, não é com certeza com as políticas de submissão, empobrecimento e renúncia, vulgo austeridade, de Passos/Portas (agora, pelo menos até às europeias, vamos ter a corda do fim da recessão) que se vai conseguir alguma coisa. A concorrência com outros portos europeus? Estará o governo português a pensar nesse assunto? Não é com certeza precarizando os estivadores que vão melhorar a operacionalidade dos portos. Por outro lado, concentrando-nos no problema da rentabilização do investimento já feito em Sines, se temos de gramar a integração europeia, ao menos procuremos tirar algum partido dela. Sem nos deixar levar em mais cantigas, que já chegam.

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