Continuamos a analisar opiniões do editor Peter Mayer sobre a revolução que a introdução de novas tecnologias promete ou ameaça provocar no universo do livro. Não se trata de uma transcrição literal, mas sim de considerações sobre a entrevista que Mayer concedeu a Juan Cruz, do El Pais. Estamos a falar sobre o mundo da edição e não respeitar o código de direito de autor seria grave. As transcrições abusivas são, aliás, um dos flagelos da edição. Peter Mayer refere esse problema e, mais uma vez, nos surpreende – podia ser pior, na sua opinião.
Mayer falou sobre o papel do marketing, muito importante nos nossos dias, mas que, segundo vaticina, em 2020 ou 2030 será insignificante. Em 1995, o papel logístico das distribuidoras era imprescindível. Em 2020 já não o será, pois a distribuição far-se-á de outra maneira. Referindo-se à maneira como a evolução tecnológica irá afectar a indústria do livro, vaticinou que a literatura de informação será a mais atingida.
E aqui, abro um parêntesis na referência à entrevista de Mayer para lembrar que, na edição, o processo de racionalização de custos começou há algumas décadas. A partir dos anos 70 do século passado, mercê da co-edição, os custos de produção baixaram muito – imagine-se uma obra sobre pintura, com reproduções a cores em todas as páginas e suponha-se que é editada simultaneamente para os Estados Unidos, América Latina e Europa. Para uma cobertura desses mercados fazem-se versões em inglês, castelhano, português, francês e alemão – cinco versões em que as impressões a cor são feitas em simultâneo e só o negro do texto é impresso em separado para cada idioma. Milhões de exemplares que permitem preços unitários baixíssimos. Por volta da dobragem do século, intensificou-se o recurso a outro factor de embaratecimento da produção – o trabalho de impressão e acabamento feito em países asiáticos – nomeadamente na China. Trabalho quase sempre bem feito e muito mais barato. Se os direitos humanos saem lesados, isso já é outra história… Mas voltemos à entrevista.
Falando de pirataria e estabelecendo comparação entre o mundo editorial e os do cinema e da música, acha que no livro essa actividade não é tão preocupante. No cinema e na música, a pirataria é desenfreada – a maioria dos jovens pensa que não sendo a música um objecto físico aa sua cópia é grátis. Não tem sequer a noção de estar a cometer uma fraude.
Mudará muita coisa, diz Mayer, o que não mudará é o mistério que está por detrás do êxito de um livro. Juan Cruz, refere que Gaston Gallimard, o fundador da editora francesa, afirmou que, após quarenta anos experiência, não sabia dizer o que leva um livro a ter êxito. Existe uma componente de sorte… mas sorte tem-se uma vez ou outra, o instinto de saber escolher o que vai ter êxito é indispensável. E voltamos à questão do instinto do editor – Gallimard disse também que o êxito na selecção de livros é o atrevimento na escolha e o saber esperar. Será verdade, mas uma editora pertencente a um grande grupo não pode esperar. É um privilégio das pequenas editoras.
É no entanto provável que o livro de qualidade ou mesmo luxuoso, cuidadosamente impresso e encadernado, volte a suscitar interesse. Continuará a haver quem queira ter livros nas estantes de sua casa. Inclusivamente, livros que tenha lido na net. Mayer prevê que as chancelas editoriais perderão força e que o autor tenderá a transformar-se em chancela, em marca. As pessoas gostam de livros e gostam de os comprar, disse. Esta invenção de Gutenberg com quinhentos anos – os caracteres negros sobre o papel branco – ainda é a melhor maneira de ler. Quando as crianças que têm agora seis ou sete anos crescerem talvez seja diferente – «Vi livros digitais para crianças cujos desenhos têm movimento». Peter Mayer concluiu afirmando que tem esperança em que as pessoas continuem a ler se lhes derem bons conteúdos.
E o feeling, o faro, o instinto?
Mayer acredita que esse dom que alguns editores possuem, vale mais do que os estudos de mercado. Pessoalmente, tendo visto muitos editores perderem fortunas no negócio da edição e muito poucos nele enriquecerem, diria que há editores que, tendo adquirido um conhecimento profundo sobre os aspectos fundamentais do negócio, incluindo o gosto dominante do público e tendo em atenção a evolução desse gosto, obtêm êxito na maioria das suas edições. Chama-se instinto a essa ciência? Quando um médico cura um doente, terá somente um instinto apurado ou foi o estudo e a experiência, com alguns erros de permeio, que lhe permitem ter a sensibilidade “instintiva” com que encontra as soluções?
As pessoa não gostam de ler ? GOSTAM; as pessoas não gostam de assistir a concertos de musica clássica ? GOSTAM; as pessoas não gostam de ir ao teatro ? GOSTAM; as pessoas não gostam de dialogar ? GOSTAM. Então porque é que as pessoas não lêem, não vão ao teatro, não vão aos concertos ? Porque os grandes empresários fazem dos leitores, ouvintes, espectadores… BURROS, querem vender por atacado, quanto e quando lhes apetece, querem vender às pazadas e depois é muito bem feito, as pessoas procuram alternativas. Os editores e negociantes, negoceiam o produto cultural como se tratasse de cabras, bois ou porcos, não cativam o leitor, não atraiem os leitores e depois vêem para a TV carpir mágoas. É claro que se podiam vender livros mas, isso dá trabalho, muito trabalho, é necessário humanismo e outras coisas mais ! que os “negociantes” não têem !
Meu caro Francisco Laranjeira, é bom que, quando falamos de editores, saibamos de que editores falamos – dos grandes grupos internacionais ou dos pequenos e médios editores? As grandes multinacionais do livro vendem o tipo de obras que o mercado absorve – tratam o livro como qualquer outro tipo de produto; ao invés, o pequeno editor está na edição, na maioria dos casos, por amor ao livro. O que acontece é que, geralmente, não dispondo dos meios que as grandes empresas têm ao seu alcance, edita segundo o seu gosto e não de acordo com o gosto dominante e o resultado é comercialmente mau. Não podemos culpar os editores, sobretudo os pequenos. Falta uma política do livro que, a partir do ensino básico, induza o gosto pela leitura.
Sr Carlos Loures: no meu comentário anterior fui um pouco explosivo, respondi um pouco atabalhoadamente, também estava com pressa. Peço-lhe q não repare. A meu ver o que falha, em relação à comercialização do livro – é que as pessoas não estão motivadas, não estão “trabalhadas” para a coisa cultural. Existem na nossa sociedade equívocos, contradições e mal entendidos difíceis de explicar. Eu penso que era bom, muito bom, por todas as razões, que os nossos índices de leitura fossem muito mais elevados. Bastaria comparar e concluir que os países mais ricos são os que lêem mais, ou, haverá alguma dúvida !? Será que os sucessivos Governos, os nossos intelectuais, a classe docente e mais quem de direito em Portugal, estará para aí virado ? Hmm, não me parece. O que me parece é q essas entidades estão, isso sim, interessadas no contrário, ie manter o ovo na ignorância ! Apesar de eu andar pela internet, há uns anos, atrevo-me a dizer q nunca li tantos livros, em versão papel, como nestes últimos anos, porque será ? Haveria muito que dizer sobre este tema tão candente. Podemos e devemos continuar a conversar sobre este tema e quantos mais interessado houver melhor. Estou no FB como: Francisco Laranjeira e Poesia do vaga-lume – https://www.facebook.com/groups/poesiacomtodos/
Espero a sua visita. Mlhrs cumprts.
As pessoa não gostam de ler ? GOSTAM; as pessoas não gostam de assistir a concertos de musica clássica ? GOSTAM; as pessoas não gostam de ir ao teatro ? GOSTAM; as pessoas não gostam de dialogar ? GOSTAM. Então porque é que as pessoas não lêem, não vão ao teatro, não vão aos concertos ? Porque os grandes empresários fazem dos leitores, ouvintes, espectadores… BURROS, querem vender por atacado, quanto e quando lhes apetece, querem vender às pazadas e depois é muito bem feito, as pessoas procuram alternativas. Os editores e negociantes, negoceiam o produto cultural como se tratasse de cabras, bois ou porcos, não cativam o leitor, não atraiem os leitores e depois vêem para a TV carpir mágoas. É claro que se podiam vender livros mas, isso dá trabalho, muito trabalho, é necessário humanismo e outras coisas mais ! que os “negociantes” não têem !
Meu caro Francisco Laranjeira, é bom que, quando falamos de editores, saibamos de que editores falamos – dos grandes grupos internacionais ou dos pequenos e médios editores? As grandes multinacionais do livro vendem o tipo de obras que o mercado absorve – tratam o livro como qualquer outro tipo de produto; ao invés, o pequeno editor está na edição, na maioria dos casos, por amor ao livro. O que acontece é que, geralmente, não dispondo dos meios que as grandes empresas têm ao seu alcance, edita segundo o seu gosto e não de acordo com o gosto dominante e o resultado é comercialmente mau. Não podemos culpar os editores, sobretudo os pequenos. Falta uma política do livro que, a partir do ensino básico, induza o gosto pela leitura.
Sr Carlos Loures: no meu comentário anterior fui um pouco explosivo, respondi um pouco atabalhoadamente, também estava com pressa. Peço-lhe q não repare. A meu ver o que falha, em relação à comercialização do livro – é que as pessoas não estão motivadas, não estão “trabalhadas” para a coisa cultural. Existem na nossa sociedade equívocos, contradições e mal entendidos difíceis de explicar. Eu penso que era bom, muito bom, por todas as razões, que os nossos índices de leitura fossem muito mais elevados. Bastaria comparar e concluir que os países mais ricos são os que lêem mais, ou, haverá alguma dúvida !? Será que os sucessivos Governos, os nossos intelectuais, a classe docente e mais quem de direito em Portugal, estará para aí virado ? Hmm, não me parece. O que me parece é q essas entidades estão, isso sim, interessadas no contrário, ie manter o ovo na ignorância ! Apesar de eu andar pela internet, há uns anos, atrevo-me a dizer q nunca li tantos livros, em versão papel, como nestes últimos anos, porque será ? Haveria muito que dizer sobre este tema tão candente. Podemos e devemos continuar a conversar sobre este tema e quantos mais interessado houver melhor. Estou no FB como: Francisco Laranjeira e Poesia do vaga-lume – https://www.facebook.com/groups/poesiacomtodos/
Espero a sua visita. Mlhrs cumprts.