CABO VERDE – “O TEATRO É FEITO DE ARTE, AFECTO E GENEROSIDADE” – por Clara Castilho

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Esta é um frase de João Branco, director do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo. A produção nº 50 deste Grupo , vai poder ser vista de 20 a 23 de Março, uma peça que terá uma dramaturgia original e inovadora, escrita a quatro mãos: Rui Zink (Portugal) iniciou o enredo; José Mena Abrantes (Angola), deu-lhe continuidade; Abraão Vicente (Cabo Verde), escreveu a terceira parte e Ivam Cabral (Brasil) deu o remate final. A encenação e a direcção artística é de João Branco a interpretação de Janaina Alves e Lopes Renato. A banda sonora, também original, é de Rui Rebelo.

A peça começou por não ter nome à partida, mas agora aparece com o de Quotidiano – isto não é uma história de amor. 

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Será montada segundo um novo conceito de representação cénica. O cenário é armado num lugar não convencional. O encenador explora, além da linguagem verbal e corporal, técnicas de vídeo, com filmagem e emissão ao vivo e em tempo real, para materializar o universo da peça. O grupo foi formado em 1993 e é considerado o impulsionador de um teatro novo em Cabo Verde, sendo responsável, pelo seu exemplo e pela formação de novos autores, pelo surgimento de uma dinâmica teatral nunca antes alcançada naquele país (: https://www.instituto-camoes.pt/cabo-verde-grupo-de-teatro-do-centro-cultural-portugues-do-mindelo-apresenta-teorema-do-silencio#sthash.jveauT4y.dpuf )

João Branco, seu director afirma: “O grupo mudou os paradigmas do teatro cabo-verdiano. A qualidade plástica das encenações, a ousadia experimental das montagens, a diversidade dramaturgica na escolha das peças e a promoção do teatro cabo-verdiano além-fronteiras são apenas alguns dos aspectos que saliento”.

Rui Zink não precisa de apresentação, mas os outros escritores não são tão conhecidos.

José Mena Abrantes é um dramaturgo, poeta, escritor e jornalista angolano, com licenciatura em Filologia Germânica, feita em Lisboa, época em que colaborou com grupos teatrais. Regressando a Angola em 1974, ajudou a fundar os grupos de teatro “Tchinganje”, responsável pela primeira representação dramática, em 1975, na Angola livre e independente, e “Xilenga-Teatro”. Participa em festivais de teatro em Cabo Verde, Brasil, Itália, Moçambique e Portugal, nomeadamente no FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica).

Abraão Vicente nasceu na ilha de Santiago, em Cabo Verde. Com 18 anos, seguiu para Lisboa onde cursou Sociologia, pela Universidade Nova de Lisboa, com tese sobre a construção do campo artístico em Portugal durante o século XX. Entre exposições individuais e colectivas passou um período em Barcelona, onde foi um dos programadores e artista do espaço de experimentação artística Miscelânea. Actualmente, vive em Cabo Verde onde, a par das artes plásticas, já exerceu a função de jornalista e é um activista social e cronista.

 Ivam Cabranasceu em Ribeirão Claro, Paraná, em 1963. É actor, director e dramaturgo e tem dedicado sua carreira às artes do palco. Mestre em Artes Cénicas pela USP. Como actor, tem participado do elenco de vários espectáculos; recebe inúmeros prémios, em diversos países europeus. Como dramaturgo, escreveu dezenas de textos, tendo sido traduzido para o espanhol e o alemão. Também escreve para cinema e televisão,

João Branco sempre viveu num mundo imbuído de cultura (filho do cantor José Mário Branco). É doutorado em Comunicação, Cultura e Artes encenador.

 Janaina Alves é actriz e formadora teatral, com larga experiência profissional, residindo actualmente em Cabo Verde, onde desenvolve, como co-coordenadora, o projecto teatral Pará Moss.

Lopes Renato considera que o teatro serviu de protecção contra os maus caminhos que a vida oferece. Convidado a integrar o Grupo Teatral Novos Amigos iniciou a sua carreira de actor, tendo depois feito diversas formações.

E a banda sonora é toda ela original, obra do compositor português Rui Rebelo, que nos últimos anos tem trabalhado com a companhia lusa Teatro Meridional.

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