O NEOLIBERALISMO COMO MÁQUINA DE DESTRUIÇÃO, de CHEMS EDDINE CHITOUR

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

O neoliberalismo como máquina de destruição

O coveiro das identidades e do viver em conjunto

neoliberalismo - I

Chems Eddine Chitour

«Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas. Mateus 10:16»

Parte II

(continuaçâo)

Como, por fraqueza e complacência, destruir as Nações?

Podemos adivinhar, o sacerdócio do neoliberalismo tem função criar o consumidor global: homo economicus: a palavra universal. Diz-se que ele também tem sete mandamentos:

1) Promover o pluriculturalismo.

2) Promover o multiculturalismo. Encorajar os imigrantes a manter as suas culturas. As sociedades multirraciais e multiculturais devem dedicar toda a sua energia a manter a paz entre os vários grupos que as compõem.

3) Fazer a promoção da diversidade e não da unidade .

4) Manter o grupo cuja demografia é a mais forte no analfabetismo. Uma subclasse em expansão, non-assimilada e sub-educada , hostil à maioria,

5) Fazer com que o mundo dos negócios apoie financeiramente o multiculturalismo.

6) Tomar como tabu toda a afirmação que contrarie o culto mediático da diversidade .

7) Tornar impossível a aplicação das leis de imigração. Imigração em massa é um fenómeno normal que não pode ser parado, e isso seria um benefício para a sociedade.

Este pequeno modo de emprego em sete pontos-chave permite o advento de uma sociedade “diversa”, “pacífica”. Os adeptos de uma governança global da Alta Finança Internacional utilizam o multiculturalismo como uma alavanca para fragmentar nações até então culturalmente homogéneas. Estes conjuntos homogéneos são um obstáculo a um governo centralizado[1].

O relatório Lugano

neoliberalismo - III neoliberalismo - IV

Esta ofensiva contra as identidades não existe para combater uma identidade em termos absolutos, ela tem como função assentar e demarcar o terreno para o advento final do neoliberalismo. Susan George, universitário franco-americana e ex-membro do site Attac, denunciou numa obra choque «O relatório Lugano» publicado por Ed. Fayard, a estratégia diabólica dos grandes gurus da globalização: No seu segundo livro Ler apport Lugano II Susan Georges vai mais longe. Para ela, os peritos acreditam que eles sabem como proceder para garantir o triunfo do capitalismo ocidental: como podem os “decisoress” em simultâneo implementar as políticas ultraliberais que são a base da globalização e simultaneamente pretendem combater as consequências catastróficas dessas mesmas políticas [2]?

«A base em que assenta o neoliberalismo na  sua visão predadora  reside, a acreditar  em  Susan Georges numa  Bíblia chamada “relatório Lugano». De facto, escreve  Phillipe Frémaux as linhas da estratégia deste caos reorganizador  foram  iniciadas  como o relata  Susan Georges no seu livro o relatório Lugano. Desde há três décadas, Susan George está em todos os combates a favor dos povos do o Sul e contra os efeitos devastadores da globalização neoliberal. O Relatório Lugano, o seu livro mais recente é apresentado como um relatório escrito a pedido dos “Donos do Mundo ” que achamos serem as elites que se reúnem anualmente em Davos. “Objectivo do relatório: analisar as ameaças que enfrenta o capitalismo liberal e de estudar as maneiras de assegurar a sua continuidade.[3]

Quais são suas metas para atomizar a solidariedade?

“Uma dúzia de peritos escolhidos a dedo por patrocinadores anónimos, mas não fazendo nenhum mistério da sua influência sobre os assuntos do mundo, reúne-se numa estância de luxo situada nas encostas do lago de Lugano, na Suíça. Eles têm como missão produzir um relatório que deve ele próprio permanecer em segredo. A religião, continua o autor, pode muito facilmente tornar-se uma fonte de inquietação e de revolta quando as pessoas têm a sensação de que suas escolhas “espirituais” são violadas, por muito estúpidas ou equivocadas que possam ser as suas crenças. -não vale a pena, repetirmos, atrair a atenção e a controvérsia pela censura enquanto é tão simples escrever ‘Best-sellers’ que saturam os livreiros e que defendem acaloradamente o estilo de vida capitalista[4].

Além disso, o autor fala-nos de outras ” jazidas potenciais” na arte de dividir e distrair . “Tudo o que tem a ver com a sexualidade, com o corpo ou com a saúde em geral pode ser criteriosamente explorado quando há uma necessidade urgente de desviar a atenção dos graves problemas”. Pode-se também inscrever como um meio de perturbação: o desequilíbrio ecológico, porque a pressão exercida sobre ele pelas economias capitalistas é considerável. O capitalismo vilão: as actividades criminosas em grande escala podem minar as bases da actividade económica ‘legítima’, ‘legal’. O colapso financeiro : os mercados financeiros. O crime banalizado. Face a estas ameaças, o capitalismo deve saber defender-se. Ele sabe fazê-lo, sem nenhuma fraqueza. Dividir: não apenas neutralizar qualquer esforço de solidariedade, mas explorar as suspeitas, sustentar o ódio, criar a hostilidade entre grupos. Criar situações de fome em vastas camadas da população: uma redução induzida de reservas alimentares contribui para o aumento dos preços e torna, portanto, mais difícil o acesso aos alimentos; Propagar as doenças, privatizar serviços tais como o de abastecimento de água… Implementar em grande escala, obviamente sem o consentimento das mulheres, programas de esterilização.

(continua)

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