EDITORIAL – A GUERRA FRIA FERVE NA UCRÂNIA

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Em A Viagem dos Argonautas temos estado atentos à situação na Ucrânia, não só no editorial como nas secções onde intervêm o Carlos Mesquita, o Júlio Marques Mota (vejam o texto Ucrânia – O Substrato Identitário da Crise Actual, de Romaric Thomas, que vai ser publicado já a seguir às 13 horas) e outros argonautas. O facto é que estamos a ter um reaquecimento muito acentuado na chamada guerra fria, que afinal nunca se terá apagado completamente. Após os acontecimentos dos últimos dias, parece que na próxima terça-feira o secretário de Estado norte-americano John Kerry vai a Kiev apoiar as autoridades agora no poder. Obviamente pretende, por um lado, manter a pressão sobre a Rússia e recuperar o prestígio perdido quando, há meses atrás, teve de recuar quanto a uma intervenção militar na Síria. Por outro lado, visa impedir que os líderes europeus assumam o protagonismo na contenda, hipótese que parece desenhar-se após os contactos entre Angela Merkel e Putin. Vejam o Washington Post de ontem:

http://www.washingtonpost.com/world/national-security/kerry-to-visit-ukraine-on-tuesday-threatens-sanctions-if-russia-doesnt-pull-forces-back/2014/03/02/bdd16d4a-a245-11e3-a5fa-55f0c77bf39c_story.html?wpisrc=al_comboPN

Putin, por seu lado, avançou e agora não pode recuar. Aliás, ele sabia que tinha de avançar rapidamente, pois os novos líderes da Ucrânia estão cheios de pressa de aderir à NATO, mais ainda do que à União Europeia. Para a subjugação da Rússia, o envolvimento pelo flanco sul será decisivo, grande aspiração desde há muito dos chefes militares das potências ocidentais, incluindo nestes Napoleão, Hitler, os vários presidentes norte-americanos, etc. Voltamos a propor a leitura de jornais.

http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/mar/02/not-too-late-for-ukraine-nato-should-back-off

http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/mar/02/ukraine-vladimir-putin-crimea-grab-editorial

A extrema-direita está a subir por toda a Europa, e obviamente tem estado a apoiar os revoltosos ucranianos. Um alinhamento entre as suas posições e as dos norte-americanos poderá ter efeitos muito complicados, não só na Ucrânia e na Rússia, mas também por toda a Europa.

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