

Binta-Guidage
Fiz este trajecto penoso, mais do que uma vez, entre Binta e Guidage, mas em 1967. Eram aquartelamentos que faziam parte do meu batalhão. De uma das vezes, a coluna em que eu seguia demorou cerca de sete horas para fazer vinte quilómetros, por causa dos atascamentos. Nesse dia fomos atacados por um enxame de abelhas selvagens. Para quem não sabe, tal ataque era mais temido do que uma emboscada. Para além de consequências menos graves, tive um soldado com um choque anafiláctico que quase me ia morrendo. Tenho fotos dessa terrífica viagem. Encontrava-se nessa altura em Guidage a comandar o pelotão, o meu grande amigo alentejano alferes Barrulas que aí sofreu vários ataques. Num desses ataques, estando eu em Bigene, via os clarões ao longe, com o coração nas mãos, e comentava para os meus companheiros “pobre Barrulas, coitado”. Encontrei-o anos mais tarde numa festa do Avante e abraçámo-nos longamente. (fotos de Adão Cruz)




Uma guerra que mutilou corpos e almas -diz-se que ao fim de 50anos se abrir o dossier desta guerra que despojou muitos portugueses do Amor a Portugal -Seria bem pertinente organizar um dossier com “narrativas ” deste e de outro gnero sobre as vivncias dos militares que viveram na carne uma experincia imposta pelo asqueroso lema “orgulhosamente ss “-Maria
No dia 3 de Maro de 2014 s 09:00, A Viagem dos Argonautas escreveu:
> carlosloures posted: ” Binta-Guidage Fiz este trajecto penoso, mais do > que uma vez, entre Binta e Guidage, mas em 1967. Eram aquartelamentos que > faziam parte do meu batalho. De uma das vezes, a coluna em que eu seguia > demorou cerca de”