Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Desvalorizar o euro, não o salvará
Yann
Dévaluer l’euro ne le sauvera pas,*
PARTE II
(continuação)
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Moeda única = balança de pagamentos única
Agora que se resumiu um pouco como tudo isto funciona qual é por conseguinte a consequência para a zona euro? A zona euro é composta por vários povos que têm cada um as suas especificidades, as suas culturas, os seus sistemas económicos e as suas próprias especificidades sociais e demográficas. É um facto que ninguém não virá infirmar, a menos que o venha fazer com uma grande má-fé.. Esta diversidade traduz-se de resto por uma grande diversidade de políticas fiscais e de tradições políticas adaptada à população local. É o esquecer desta simples realidade que condiciona o malogro actual da UE. Um malogro que é imputável à fascinação das elites de pós-guerra para com os EUA. Ao procurar decalcar sobre este país de uma grande homogeneidade cultural para fazer um modelo para a Europa as nossas elites elas mesmas condenaram-se ao malogro. No domínio monetário, é o euro que traduz o impasse na qual estamos todos. Com efeito como já se viu, a moeda vai variar em função da evolução da balança pagamentos. À escala da zona euro, isto significa que o euro vai variar em função da balança pagamentos da zona euro inteira e não em função das balanças de cada um dos membros. É normal que a balança comercial da zona euro varia sobretudo em relação à sua componente mais forte, a saber, a Alemanha dado que este país é também mais o importante s da zona euro. Todos, tal como o valor do franco anteriormente era influenciado mais pela bacia parisiense que pelo Languedoc Roussillon.
A divergência em todo o seu esplendor
Seja como for o valor do euro é por conseguinte o resultado do valor da balança de pagamentos global desta zona a. Evidentemente, a subida do valor do euro está ligada ao excedente da balança dos pagamentos da zona ou seja de 116 mil milhões de euros em 2012 (fonte Banque de France). Evidentemente é o enorme excedente da Alemanha que esconde os défices dos outros países e é aqui que está efectivamente todo o problema do euro. Porque o euro protege os países fortes e destrói os países fracos. Com efeito em tempo normal, o excedente alemão ter-se-ia traduzido quer por um forte aumento do Marco quer por uma desvalorização das moedas dos países vizinhos. De modo que a política mercantilista alemã seria morta ainda no ovo. Mas o euro age como uma derivada em matemática, acentua as variações em vez de as alisar. Porque se o euro for sobreavaliado para a França, ou pior, para a Itália, a Espanha e para a Grécia, pode ainda estar subavaliado para a Alemanha. A zona euro permite a Alemanha ter uma zona tampão que a protege das consequências monetárias das suas práticas comerciais. Ela impede também os Alemães de sentirem que, tal como os outros, estão a acumular países desenvolvidos. É possível que a Alemanha mudasse de opinião sobre a livre-troca se esta se debatesse contra esta realidade. Portanto, como foi muito bem mostrado pelo blog Criseua a Alemanha deve principalmente o dinamismo comercial sobre as antigas áreas desenvolvidas. O que também confirma a intuição de Todd no vídeo que coloquei recentemente no blog.
Gráfico proposto por Criseusa
Para Montebourg o euro é a nossa moeda, o problema é dos outros
Parafraseando John Bowden Connaly que foi um dos conselheiros de Richard Nixon, e que utilizou a famosa fórmula “o dólar é a nossa moeda, mas é o vosso problema. ”. É um pouco a mesma análise que se pode fazer contra os que defendem, como Arnaud Montebourg a desvalorização do euro. Objectivamente, o euro até está mesmo subavaliado, dado que a nossa balança dos pagamentos melhora. Salvo que isto obviamente esconde uma forte degradação em certos países e uma boa situação aparente outros. Notar-se-á também que este excedente deve-se, sobretudo, ao desmoronamento da procura do Sul da Europa. Os pobres vão por conseguinte poder morrer curados. Mas concretamente qual seria o efeito de uma desvalorização sobre a França e a Europa? Na França isso permitiria melhorar a nossa competitividade em face do exterior da zona euro. Mas primeiro pequeno problema, o primeiro défice comercial da França é com a Alemanha. Uma desvalorização do euro não terá por tanto nenhum efeito sobre este défice. Seja, assim. Mas isso terá efeito sobre o défice com a China? Há poucas possibilidades tendo em conta a vantagem comparativa da China. A menos que se imagine uma desvalorização de 50%, ou mesmo mais, não se vê como compensar a diferença de competitividade-custo com a China.
(continua)
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texto disponível no site:
http://lebondosage.over-blog.fr/
http://lebondosage.over-blog.fr/article-devaluer-l-euro-ne-sauvera-pas-l-euro-122689591.html
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Para ler a parte I deste trabalho de Yann, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:


A Moeda não tem apenas um enquadramento economicista. É também um instrumento estratégico da soberania, soberania que, em Portugal, os políticos estavam anciosos por entregar.
Terá sido um “sweet surrender” ou houve contrapartidas e benefícios pessoais para quem concretizou a transacção? Porque estavam os políticos de então, como estão os de agora, tão empenhados em destruir a Nação? Será porque esperam que a sua manifesta incompetência seja menos visível no meio do lodaçal social, político e económico que é esta disformidade conhecida por UE? Porque não há resposta às perguntas que os cidadãos colocam pertinentemente?
Não sabem? … Ou não podem responder?