O CRESCIMENTO ANÉMICO DO PIB NOS ÚLTIMOS TRIMESTRES DE 2013 FOI DEVIDO À PROCURA INTERNA MAS NÃO ÀS EXPORTAÇÕES – por EUGÉNIO ROSA

Parte II
(conclusão)

O GARROTE DA DIVIDA É AGORA MUITO MAIOR DO QUE HÁ 3 ANOS

Em todas os países em que foi imposta a politica de austeridade recessiva as consequências foram um forte retrocesso económico e social, o agravamento das desigualdades, o disparar da divida. Portugal não fugiu à regra. Neste estudo analisa-se apenas a divida, utilizando-se os últimos dados divulgados pelo Banco de Portugal no seu Boletim Estatístico de Fev-2014:

País melhor - IV

Nos últimos 3 anos, ou seja, com o governo PSD/CDS e “troika” que impuseram uma politica de austeridade recessiva permanente a divida pública aumentou 36,3% (+67.485 milhões €); a divida das empresas (não inclui as instituições financeiras) diminuiu 0,7% (-2.292 milhões €), e a divida dos particulares (famílias) reduziu-se em 11% (-19.582 milhões €). Se somarmos estas dividas existentes em 31-12-2013 obtém-se 716.413 milhões €, ou seja, mais 45.611 milhões € do que no fim de 2010, e é superior a quatro vezes o PIB português.

O ENDIVIDAMENTO EXTERNO EXPLODIU COM A POLITICA DE AUSTERIDADE RECESSIVA

O quadro 3 (dados do Banco de Portugal) mostra a parcela da divida financiada externamente

País melhor - V

Em 3 anos de governo PSD/CDS, de “troika” e de politica de austeridade recessiva, a parcela da divida do Estado, das empresas e dos particulares financiada externamente aumentou 39,1% (+57.745 milhões €). Mas esta análise do endividamento do país ao estrangeiro ainda não ficaria completa sem apresentar um quadro global da situação de Portugal (quadro 4):

País melhor - VI

Apesar do “reequilíbrio das contas externas” tão apregoado pelo governo. pelos seus defensores, e pela “troika” apresentado  como o “milagre da consolidação orçamental”, o certo é que a divida liquida (Ativo-Passivo) do país não melhorou, pelo contrário até se agravou (+11.421 milhões €). Portugal termina o “período da troika” com uma divida que não é sustentável nem possível de ser paga, e que é um autêntico garrote a uma politica de desenvolvimento (basta ter presente que uma divida do Estado 253.329 milhões €, a uma taxa de 4,5% corresponde a 11.399,8 milhões € por ano só de juros, mais 50% do que o valor atual). E Passos Coelho ainda tem a desfaçatez de dizer que “estamos melhor do que há 2 anos

Eugénio Rosa – Economista – edr2@netcabo.pt – 3-2-2014

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Para ler a parte I deste trabalho de Eugénio Rosa, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

O CRESCIMENTO ANÉMICO DO PIB NOS ÚLTIMOS TRIMESTRES DE 2013 FOI DEVIDO À PROCURA INTERNA MAS NÃO ÀS EXPORTAÇÕES – por EUGÉNIO ROSA

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