Gosto de falar das primeiras, daquelas que foram vistas como hereges, daquelas cuja ousadia, comparada com o que hoje enfrentamos, não tem par.
Foram as operárias americanas de Nova York, em 1857, as ousadas mulheres que em vários estados dos USA marchavam erguendo cartazes com a inscrição Bread and Roses (salários dignos para ter pão e melhores condições de vida representadas nas rosas), de 1908 a 1912. Foram as organizadoras, em 1910, da Conferência Internacional das Mulheres realizada em Copenhague, a feminista e socialista alemã Clara Zetkin conseguiu aprovar a proposta de que fosse celebrado no mundo inteiro, daí em diante, o 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher.
Passando para Portugal, algumas figuras sobressaíram.
Podemos referir:
-
as que em 1909 fundaram a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (1909-1919), desafiando as instituições e mentalidades então vigentes, inscrevendo no seu programa o direito ao voto, o direito ao divórcio, a igualdade de direitos para a mulher, a instrução para a criança, a igualdade para a mulher na instrução e no trabalho, entre outras reivindicações.
-
as que em 1910 conseguiram a supressão do dever de submissão das esposas aos seus maridos, através de novas disposições legais que caminhavam para a igualdade mulheres-homens no casamento e na filiação, a autorizado às mulheres o acesso ao trabalho na administração pública, que as consequências legais do adultério passassem a ser iguais para as mulheres e os homens.
-
Carolina Beatriz Ângelo mulher que votou pela primeira vez, aproveitando-se da omissão legal sobre o sexo do chefe de família e que em 1911 presidiu à Associação de Propaganda Feminina.
-
As que em 1914 fundaram o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1914-1947), que tanto incomodou Salazar que o mandou encerrar e em 1915 a Associação Feminina de Propaganda Democrática.
-
As que em 1928 realizaram o II Congresso Feminista.
-
Catarina Eufémia que em 1954 foi assassinada na sequência de uma greve.
-
As que em 1968 no Movimento Democrático de Mulheres lutaram por melhores condições de trabalho e aumento de salário e festejaram o 8 de Março de 1969, centrando na luta e defesa pelos direitos das mulheres e das crianças, mas também contra a guerra colonial, no apoio aos presos políticos e na resistência contra o fascismo.
E todas aquelas cujos nomes não conheço mas que ajudaram os homens das suas famílias nas lutas anti-fascistas, os acompanharam na clandestinidade, pondo a luta contra o fascismo acima dos seus problemas de mulheres. E todas aquelas que foram presas e torturadas. E todas as que viveram suas vidas com a coragem de não esmorecer, mas com a angústia de não saber o que o dia seguinte lhes traria. E todas as que se esfalfaram a trabalhar e passaram fome para dar pão a seus filhos. -
Não teria fim…A minha vida hoje, 8 de Março de 2014, é uma vida de luxo, de privilégios, comparada com as suas vidas. É com profundo respeito que as nomeio. E é em nome delas que continuarei a fazer o que estiver ao meu alcance para que, cada vez mais, a igualdade seja uma realidade, para que cada vez menos sejam vítimas de violência doméstica, discriminadas no trabalho, etc. A humanidade só sobrevive com todos em sintonia, criando as condições para que as crianças – que são o futuro – possam crescer com o máximo de dignidade, qualidade e bem estar.


Para completar:
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=zwfgZImfSU4&w=420&h=315%5D
Brava Clara Castilho, precisamos lembrar, sim, as pioneiras, as resistentes, as lutadoras incansáveis e desbravadoras para que a situação das mulheres de hoje chegasse ao que chegou : muito melhor mas ainda muito longe do que poderá e deverá ser: salários iguais, .paridade na política, direitos humanos respeitados, dignidade exaltada e não vilipendiada pela pornografia e pelos abusos e maus tratos – espancamentos, estupros, assassinatos.
A luta continua! até o dia em que homens e mulheres puderem dizer um ao outro ” eu sou tu mesmo/a, só com outro sexo”!
abraço fraterno da
Rachel Gutiérrez