CONTOS & CRÓNICAS – “Sonho n° 36 ou O homem de vermelho” – por Sílvio Castro

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Sonho n° 36  ou  O homem de vermelho

conto de  Sílvio Castro

 

                Finalmente ela me disse  !!! serei tua

             Então eu saí correndo pelas ruas e jardins  saltando muros e pontes  subindo pelas árvores até ver de longe a distância branca que me separava do lugar do grande agora certo encontro

             E mais eu corria sempre para o lugar fixado e ansiado  que ele me fugia para longe em absurda oposição à minha corrida louca de alegria  O lugar do encontro me escapava sem que eu pudesse chegar mais perto dele  mesmo quando finalmente pensei

? por que ele me escapava  Ela me disse  !!! adoro o verde  O verde é a minha cor para sempre e por isso quero que você me encontre quando te poderei ver todo de verde  ? Mas por que

             Eu corria já sem alegria porque meus olhos continuavam castanhos como sempre foram e olhavam para as árvores verdes como a pedir socorro  As árvores  as muitas árvores  zombavam de mim em seus bailes de ramos e folhas ao vento  Depois eu já não tinha mais coragem de subir por elas para ver de longe o lugar do encontro que cada dia parecia sempre mais impossível

             Então eus amigos me evitavam porque não compreendiam a razão de meus cabelos tintos de verde  mas a gente pela rua me olhava como se eu fosse um homem vegetal que procurava equilíbrios no perambular pelas ruas vestidos de verde e com os cabelos cor verde-musgo banhados do suor de uma corrida sem meta  Espantado dos milhares de olhares fixos que

Não me deixavam  eu fugia no meu carro verde  Na velocidade as árvores faziam uma esteira de verde imperfeita contaminada de amarelo que parecia com o meu medo

             Mais corria e mais me afastava dela

             Então foi tão agudo o meu desejo que finalmente a vi envolvida por uma auréola verde que não a envolvia  mas partia dos olhos  Olhei-me no espelho e  !!! maravilha  meus olhos eram verdes  de um verde agudo e puro  que eu não pudera jamais imaginar

             Corri para fora de minha casa para o jardim onde as árvores aderiam agora ao meu olhar e abriam uma estrada larga como alas de festivo cortejo para que o meu carro verde chegasse logo ao lugar do encontro finalmente

             Bailando  já agora indiferente à curiosidade da gente  desço de meu carro e corro para a casa dela que me espera

             Chego

             Diante da sua porta está um homem todo em vermelho

 

               

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