A CANETA MÁGICA – ἀπὸ μηχανῆς θεός – por Carlos Loures

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O título desta pequena crónica que transliterado para o nosso alfabeto dará apò mēchanḗs theós e em grego fonético soará, mais ou menos apó mecanés teós, pode traduzir-se por “ deus trazido pela máquina”, foi adaptado na expressão latina por o Deus ex machina. A preparação da edição dedicada ao Dia do Teatro, faz-nos lembrar a solução que autores gregos tinham para resolver situações inextricáveis que iam criando para suscitar o interesse do público. Um actor preso por um guindaste descia sobre a cena. Era o tal deus que  a máquina fazia surgir em cena, ara aludir a uma solução inesperada, improvável e mirabolante para terminar uma obra de ficção ou drama cujo enredo se complicou ao ponto de não haver uma solução coerente para as situações sem saída que o autor foi criando. O Deus ex machina, que surgia nas arenas e depois no Renascimento, movido por engenhosos maquinismos – Leonardo da Vinci concebeu alguns – descido por cordas, à força de braços, de roldanas e manivelas, solucionava intrincados problemas que os autores tinham criado ao longo dos enredos, intrigando os espectadores que se acumulavam nos salões, nos adros de igrejas, nos  átrios hospitalares, nos teatros isabelinos ou nos pátios de comédias – «como é que eles se vão sair desta?», interrogavam-se. Pois o deus descido à corda resolvia tudo – afinal a pastora era a uma princesa, o conde despótico, era apenas uma alma amargurada e um ser bondoso, a duquesa bondosa era a megera que tinha tecido toda a venenosa intriga. O príncipe desposava a pastora-princesa e tudo se resolvia. Aquele deus que saía rangendo da urdidura, pendurado em cordas, punha as coisas na devida ordem.

A história de Portugal dos últimos anos parece escrita por um dramaturgo louco – nos principais papéis, gente corrupta e mentirosa actua perante uma massa de espectadores que se queixa da qualidade do espectáculo, mas continua a pagar bilhete para o ver. Um Deus ex machina, que podia mesmo vir vestido de super-homem, que descesse sobre a cena fazia muito jeito. .

O Deus ex machina nunca mais aparece.

Se calhar é melhor sermos nós a resolver o problema…

1 Comment

  1. Na verdade já há muito tempo que penso ser obrigação dos democratas darem animo e pedir auxilio a quem tem poder e todas as possibilidades para defender a população portuguesa das tormentas impostas pelos neofascistas instalados no poder político. Os partidos políticos chamados de opositores, com a sua presença em São Bento, já só fazem a legitimação dos “quislings” ao serviço do IVºReich e, por isso, de verdade, já não podem reconhecer-se com qualquer utilidade para a salvação da Democracia. Se não forem as Forças Armadas, mais uma vez, a quererem dar um passo em frente, os portugueses estarão condenados a um futuro de miséria e subserviência aos relapsos que, mais outra vez, acabaram por dominar o nosso Continente. Ao contrário do que faz a CGTP (ao serviço de quem?) as manifestações da população devem ser conduzidas para a Chefia do Estado-Maior das Forças Armadas e, jamais, para Belém e São Bento, as sedes da camarilha onde é mandado fazer tudo quanto de mau os portugueses estão a sofrer É preciso que a população passe a dirigir os seus pedidos sinceros e repetidos para uma intervenção das Forças Armadas Se não o fizer, como é sabido, não compete aos militares – e muito justamente – tomarem qualquer atitude.CLV

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