PORQUE É QUE EXISTEM TANTOS COMENTÁRIOS PRÓ-PUTIN NA WEB? por MAXIME BELLEC

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

A direita preocupada com as opiniões que circulam pela WEB não favoráveis à política suicida que a Europa segue a Leste  e que dão sobretudo a noção de que os políticos da EU não oferecem a quem escreve na WEB  nenhuma credibilidade. E quanto todos estes políticos  só sabem falar de credibilidade. As interrogações do Le Figaro sobre o tema .

Júlio Marques Mota

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Porque é que existem tantos comentários pró-Putin na Web

 Maxime Bellec Texto publicado no Le Fígaro no dia 7 de Março de 2014.

RUSSIA-PUTIN-VACATION

FIGAROVOX – Como compreender as centenas de comentários de sites de informação Pro-Putine? Respostas com Pierre – Henri de Argenson, especialista de questões internacionais em Sciences Po.

LE FIGARO – Verifica-se, nos comentários de Le Figaro (e em menor grau, também se pode ver noutros sites de informação), que muitos de nossos internautas são favoráveis, ou mesmo apoiam Vladimir Putine. Como explicar esta situação? Há uma reacção a uma certa antipatia dos média do ‘mainstream’ contra Putin na Internet? Porquê?

Uma parte desta reacção explica-se pela simpatia pró-russa que se reencontra-se sobretudo em França nos movimentos gaulistas e soberanistas. Esta corrente é feita da tradição geopolítica francesa “da inversão das alianças ” entre a França e a Rússia, e exprime uma visão das relações internacionais estruturada pela poder e pela independência das nações, contra o projecto federalista e atlantista. Mas é uma explicação bem cómoda para os que querem caricaturar o sentimento “pró-russo”. Na realidade, o que é impressionante nas reacções à crise ucraniana, não é tanto o número de testemunhos “pró-russos”, mas sobretudo a recusa implícita de muita gente em acreditar na injunção mediática que designa a Rússia de Putine como o campo do Mal. Trata-se de uma revolta intelectual, que resulta de um pano de fundo de rejeição da ordem ideológica reinante. A Internet facilita esta revolta libertando a expressão, e nós iremos assistir nos próximos anos a uma desconfiança cada vez mais sistemática, por princípio, a tudo o que será apresentado como o pensamento obrigatório sobre tal ou tal assunto.

Isso explica, na sua opinião, esta mania por Putine a propósito das qualidades exigidas a um homem político por parte dos internautas?

Há evidentemente uma fascinação pela “ virilidade” do personagem, com a sua mistura de sangue-frio e de audácia do guerreiro, mas há também a razão profunda que está algures. No inconsciente colectivo, Vladimir Putine lembra ligeiramente Luis XIV: é um monarca absoluto, autoritário, mas capaz de proteger o povo russo contra os poderosos. Os meios de comunicação social do “mainstream” não compreendem isto. Quando Vladimir Putine mandou encarcerar o oligarca Mikhaïl Khodorkovski, faz lembrar Louis XIV quando mandou prender Fouquet. É arbitrário, mas o povo revê-se nisso: se o rei pode derrubar os poderosos, é porque pode defender os interesses do povo… ainda que não seja sempre o caso. Ora, que dizem as críticas do nosso sistema político? Que foi ele a dar o poder à oligarquia, aos barões, às multinacionais, aos lóbis, que fazem e desfazem os regulamentos europeus sem o mais pequeno controlo popular, face a uma classe política sempre pronta a falar “de democracia” e de “direitos do homem” mas na verdade impotentes ou submissos. O entusiasmo por Putine revela assim, e a talhe de foice, uma necessidade profunda, ancorada no povo e não nas elites, de reencontrar líderes que sejam os seus defensores e que, para isso, têm ainda em mão os instrumentos do controlo do destino da nação, hoje diluídos por  múltiplas instituições  sem visibilidade.

No entanto, uma sondagem recente mostrava que somente 14% dos Franceses tinham uma boa opinião de Vladimir Putine. Como é se pode compreender este resultado, quando se lê o que nos lemos na Internet sobre o mesmo Putine ? Como se explica um tal desfasamento ?

É necessário sermos cuidadosos com as sondagens… Mas este desfasamento não é contraditório. Nesta mesma sondagem, Putine é julgado por 72% dos inquiridos como “enérgico” e por 56% como homem “que defende efectivamente os interesses do seu país”. É isso que é valorizado nos comentários, não o homem Putine, que os Franceses não desejariam necessariamente ter como seu chefe de Estado. Os comentários “pró-russos” não são a expressão “de partido do estrangeiro”. O que se exprime hoje é um julgamento político tal como este se reencontra quase sempre na história: ainda que as pessoas não gostem de Putine, reconhecem nele um grande líder, que permanecerá na história da Rússia. Ao contrário, personalidades políticas muito populares no seu tempo podem rapidamente ser vistas, algum distanciamento, como tendo sido grandes incapazes e pobres homens de Estado.

Maxime Bellec,  Le Figaro, Pourquoi il y a tant de commentaires pro-Poutine sur le Web

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