CRÓNICA DE DOMINGO – A INFORMAÇÃO DESIGUAL – por João Machado

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O mundo em que vivemos está em transição permanente, toda a gente sabe. Contudo as opiniões sobre as mudanças em curso, não são, nem poderiam ser uniformes. Hoje em dia, é impossível esconder das pessoas que ocorrem constantemente mudanças, em quase todas as partes do mundo, sem dúvida por o acesso a meios de informação estar muito generalizado. Contudo encontramos na grande informação mais notícias sobre algumas regiões, ou sobre algumas situações, e menos sobre outras regiões ou situações. Todos os dias, ao nível internacional, temos notícias sobre a Venezuela e a Ucrânia, contudo a Palestina e o Sudão aparecem muito menos, apesar da gravidade das respectivas situações não ser inferior à dos outros, pelo contrário. Serão os dois primeiros países mais importantes que os outros? Será que as situações que nestes se vivem são mais perigosas para o mundo do que as que ocorrem nos dois últimos?

Vendo estes assuntos em profundidade, é duvidoso que se consiga responder afirmativamente às duas questões. Muitos outros exemplos semelhantes poderiam ser evidenciados.  Mas como se deve equacionar a questão? Como se poderá ultrapassá-la? A grande informação é dirigida, é reconhecido por muita gente, e obedece a interesses. O problema, em relação ao público  em geral, é identificar esses interesses, e as consequências que advêm do condicionamento que impõem.

Ao cidadão comum é difícil reconhecer uma situação de desinformação, o que requer a maior parte das vezes tempo, e a possibilidade de confrontar com outras informações. O que acontece é frequentemente encerrar-se numa concha de rejeição que o leva a recusar como falso tudo o que lhe chega.  Esta situação de rejeição é frequente na nossa sociedade, e tem sido bastante analisada, nem sempre da melhor maneira. Procurar explicá-la mais pormenorizadamente em função do sentimento da prevalência do condicionamento na informação é de grande importância, mas para se conseguir avançar neste sentido, é necessário vencer grandes dificuldades, a começar pelas levantadas pelos próprios detentores dos órgãos de informação.

A liberdade na internet tem sido um dos problemas levantados neste campo, muito falado ultimamente. A internet tem proporcionado a muita gente facilidade em comunicar, por um preço relativamente acessível. Daí a concorrência que tem feito à grande informação. Reconhecendo primeiro que ela ainda não chega a muita gente, é necessário chamar a atenção para os condicionamentos que se anda a tentar-lhe impor-lhe, por diversas razões. Esses condicionamentos são da responsabilidade não só de entidades públicos, mas também de empresas privadas que dispõem de meios para o fazer. A luta pela liberdade de informação e pela democracia tem de ter em atenção estas manobras, até por que os condicionamentos partem de entidades que hoje em dia concentram nas suas mãos poderes à escala mundial, sem qualquer controlo.

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