Para a História da Maçonaria Feminina em Portugal, de Maria Manuela Cruzeiro – por Inês Figueiras

Imagem1

Inês Figueiras traz-nos hoje um tema duplamente polémico – a Maçonaria Feminina – a Maçonaria é um foco de discussão, de controvérsia, e a existência de um ramo feminino até no interior da sociedade maçónica desperta opiniões divergentes.

Muito se tem escrito sobre a Maçonaria, palavra que prende o olhar pela curiosidade, desconfiança e incompreensão que gera naqueles que desconhecem os caminhos desta sociedade fechada. Contudo, a minha escolha para a leitura desta semana não se relaciona com os meandros desta corrente de pensamento, mas com o que esta obra traz de novo à História da emancipação da mulher.

Para a História da Maçonaria Feminina em Portugal (Âncora Editora, 2013) é um livro de Maria Manuela Cruzeiro, a primeira grã-mestra da Grande Loja Feminina de Portugal e uma das quatro primeiras maçonas portuguesas membros da primeira Loja Feminina, «Unidade e Mátria», instalada em Lisboa em 1983.

Não podendo ignorar a preocupação da autora em desmistificar os princípios, objectivos, filosofia e acções da Maçonaria, o mais importante desta obra é o registo dos principais momentos do caminho desbravado pelas mulheres na Maçonaria, num discurso intimista que se lê de um trago.

Começando por apresentar algumas precursoras dos séculos XIX e XX – as francesas Marie Deraisme e Louise Michel e as portuguesas Ana de Castro Osório e Adelaide Cabete –, revela o trilho percorrido até à formação das primeiras Lojas exclusivamente femininas em Portugal:

«Apesar de muita coisa já ter sido dita sobre a Maçonaria Mista, a importância que teve a acção de Marie Deraisme e das Mulheres que se lhe seguiram na concretização desse sonho, de render à Mulher a justiça que lhe era devida, concedendo-lhe o direito à plena cidadania, impõe-nos algumas palavras sobre a sua luta, embora sem a ambição de lhe fazer a história, o que respeitamos e reconhecemos como direito e dever dessa Obediência.

Não podíamos, todavia, ficar em silêncio perante um movimento que se desenvolveu a pouco e pouco, com muito sofrimento, mas também com muita perseverança, e ao qual devemos a gratidão que se deve aos pioneiros daquilo que nós também sonhámos e pelo que também sofremos e lutámos.» (pp. 25-26)

 Imagem1A autora: Maria Manuela Cruzeiro licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e, posteriormente, especializou-se em Biblioteconomia (Ciências Documentais) na Universidade de Coimbra.  O interesse pela investigação começou a fazer-se sentir ainda durante o curso, o que a levou a escolher, como tese de licenciatura, a vida e a obra de Christine de Pisan, mulher das Letras do século XIV. O gosto pela investigação histórica levou-a depois a publicar a Bio-Bibliografia de Leonor da Fonseca Pimentel e José Fontana – Vida e Obra. Para a História da Maçonaria Feminina em Portugal nasce do seu interesse pela Maçonaria Feminina e da vivência pessoal desta instituição.

 

 

 

Leave a Reply