POESIA AO AMANHECER – 410 – por Manuel Simões

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VIRGÍLIO VIEIRA

                                          ( 1960 )

            RUGAS DA SAUDADE

            O mar clama a sombra das árvores

            que dançavam

            esguias

            na ansiedade

            da encosta tardia…

            e um poente no olhar vago,

            um barco desprendido por entre a liberdade,

            vertendo o sonho num adeus recordado

            à luz do Oeste:

            nunca duas lágrimas

            rolaram tão vagarosamente pelo avesso

            das rugas desta saudade

            das ilhas.

             Ilha de Antero, 27.01.95

             (da antologia “Nove Rumores do Mar”)

 Poeta açoriano de adopção. Obra poética: “Eu, Tu e o Mundo” (1982), “XI Poemas a Joaquim de Araújo” (1982), “Do Fundo do Coração” (1983). É autor do ensaio “Joaquim de Araújo e os Açores” (1984).

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