VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES NA EUROPA, VIOLÊNCIA NA ÍNDIA por clara castilho

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Pensando no que escrevi dia 18 de Março, e que referi a um estudo sobre a violência exercida sobre as mulheres na União Europeia, venho contar, para quem não conhece, uma resposta encontrada por mulheres da Índia. É uma resposta que certamente não será o recomendado pelos organismos internacionais… Estou falando das Mulheres de Cor de Rosa ou Gulabi Gang. E gang é como são vistas, dado que se agrupam, exercem violência contra também a pratica. O grupo já reúne mais de 140 mil membros.

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 E isto porquê ? É que anualmente 200.000 mulheres são vítimas de violência na Índia, torturadas, espancadas, estupradas, vêm os seus fetos e bebés do sexo feminino serem rejeitados, são obrigadas a casar com desconhecidos.  Mesmo em pleno século XXI, a valorização da virgindade e da inexperiência sexual e amorosa das mulheres é considerada muito importante na Índia.

O número indicado refere-se às que se podem contar, pois as autoridades não registam os casos de violência contra mulheres, sobretudo nas regiões do interior, onde elas não sabem a quem se dirigir quando são vítimas.

Em Bundelkand, formou-se este grupo, fundado em 2006, cuja fundadora é Sampat Pal Devi, de 47 anos e mãe de cinco filhos. Apesar de ter sido educada segundo os cânones tradicionais, era detentora de um espírito desportivo e conhecedora das artes da guerra.

Vestem-se de cor de rosa e são especialistas em lathi, uma luta tradicional indiana com paus de bambu, que não hesitam em recorrer sempre que necessário.

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Procuram a igualdade entre os sexos e continuam a defender a causa de qualquer pessoa como sua, sempre que isso significar fazer valer os seus direitos. São um exemplo de união e solidariedade entre mulheres. Gulabi Gang tem como principal foco a urgência pela defesa de vidas e acesso a direitos básicos, tais como estudar e trabalhar.

O seu próximo sonho é poder construir um pequeno negócio que garantisse trabalho, autonomia e subsistência a estas mulheres, mas a falta de fundos impede-a, para já, de o concretizar.

2 Comments

  1. Um abraço solidário, brava Clara Castilho!

    No Brasil, onde se explora de forma nauseante a imagem da mulher seminua nas praias e no carnaval, uma recente pesquisa mostrou que mais de 60 por cento das pessoas entrevistadas julgam que são elas, as mulheres as culpadas pelas agressões e estupros porque se vestem de forma provocativa.
    E ontem várias cartas em defesa das mulheres foram publicadas no jornal O Globo, entre as quais esta minha, da qual lhe passo o início e a conclusão: :
    “Enquanto nas casas, nas escolas, na mídia e na publicidade não tratarmos homens e mulheres como iguais, com a mesma dignidade, a ideologia machista vai prevalecer e legitimar a discriminação,o abuso e a violência contra as mulheres. (…) E uma lúcida campanha pela educação sexual nas escolas e nos meios de comunicação é o que esperamos das redes sociais. ”

    Rachel Gutiérrez

  2. Não posso deixar de pontuar (por mero vício profissional) que tenho crescente horror dessa nomenclatura (ultrapassada?) ‘machismo’.
    ‘Machismo diz, equivocadamente, que essas coisas (Pensamento/Gesto) seriam coisas de machos; e NÃO SÃO!…
    O ponto (talvez) mais significativo da pesquisa publicada no Brasil mais uma vez o prova.
    Foi desenvolvida perguntando o mesmo para homens E MULHERES, e todos exibiram estar ‘mergulhados/afogados’no Caldo Cultural Patriarcalista/Patrimonialista: o verdadeiro “vilão”.
    Continuar aceitando essa nomenclatura “machismo/machista” como se fosse coisa de ‘Machos’, já poderia ter ficado no passado, e é um perigo!
    Não condiz mais com todas as novas informações que temos, e que as pesquisas (norte-americanas também) confirmam.
    Não é compactuando com essa perigosa nomenclatura agora fraudulenta (já que teoricamente ultrapassada) que vamos estimular os homens contemporâneos às reflexões que eles poderiam – SIM – já estar fazendo, em benefício de todas as demais categorias de Gênero com que convivem, e de si próprios.
    Contem um tom acusatório que não só se tornou fraudulento (dirigido injustamente apenas a “machos”), como improdutivo: não CONVIDA A REFLETIR.
    Como diz a Cultura popular, “não é com vinagre que se pega as moscas”.
    Com relação à inserção que (irresponsavelmente?) mantemos (todos nós!) nesse Caldo Cultural Patriarcalista/Patrimonialista, NÓS TODOS, homens e mulheres, heterossexuais e/ou LGBTT*, podíamos/devíamos refletir BEEEEEM mais todos os dias.

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