O Grupo teatral Haya-Haya, da Beira, Moçambique, participou na terceira edição de Festival Internacional de Arte Performativa que se realizou neste mês de Março, em Sintra.
A peça ‘’Lobolo’’ tem um conteúdo que retrata a realidade africana em relação aos contornos desta prática comum no seio dos africanos.
Aníbal Chiteve, em entrevista ao Noticias na Beira, explicou que o que se pretende é mostrar teatralmente como são feitos os casamentos em África contrariamente ao cenário que se vive na Europa.
“Acredito que em Portugal sairemos famosos devido a peca porque ela retrata fundamentalmente as adversidades do lobolo em África para alem de ao mesmo tempo trazer ao revelo a critica negativa sobre esta pratica costumeira.
Assim, o “Lobolo” retrata uma história tipicamente moçambicana, de uma moça que é obrigada pelos pais a casar-se com quem que não ama, e a sua vida torna-se um autêntico inferno. A situação torna-se pior pelo facto dela não conseguir ter filhos que seu marido tanto queria ter e a culpa recai sobre ela. A sogra e o marido maltratam-na e ela não podia voltar para casa de seus pais por ter sido “lobolada”.
Moçambique é um dos países no mundo com a maior taxa de casamento infantil – mais de 50% das meninas estão casadas antes dos 18 anos – como consequência da gravidez na adolescência.
Fatores como a distância dos hospitais, falta de informação, crenças e também o despreparo para a maternidade faz com que muitos dos partos aconteçam em casa.
Por essa razão, o Fundo de População das Nações Unidas, UNFPA, desenvolveu uma campanha e treinou médicos para o combate à fístula obstétrica, que ocorre quando os partos são realizados sem a ajuda e um médico.
A WLSA (Women and Law in Southern Africa Research and Education Trust – http://www.wlsa.org.mz/?__target__=apresentacao) é uma organização não governamental regional (ONG), que faz pesquisa sobre a situação dos direitos das mulheres, em sete países da África Austral: Botswana, Lesotho, Malawi, Moçambique, Swazilândia, Zâmbia e Zimbabwe. A WLSA Moçambique também se preocupa com este problema. E dizem-nos:. Moçambique encontra-se entre os países que, ao nível mundial, apresentam um maior número deste tipo de uniões forçadas: encontra-se em 7º lugar nesta lista, depois do Níger, do Chade, do Mali, do Bangladesh, da Guiné e da República Centro Africana, contabilizando mais de metade de mulheres que se casam antes dos 18 anos.
Este é um tema muito quente em Moçambique. Não sei qual o desfecho que os autores deram à peça. Mas ter a coragem de falar deste assunto já é de louvar.
* [image: Imagem intercalada 1]Como manhambana ,lusomoçambicana conheço de fundo esta problemática -excelente projecto de vida .Maria [image: Imagem intercalada 2]*