AINDA HÁ TANTO A FAZER COM OS NOSSOS JOVENS por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Estamos no mês de Abril e parece que o ditado popular “ Abril águas mil” é mesmo verdade.

Estamos no mês de Abril, mês da Revolução dos Cravos.

Estamos no mês de Abril, “Mês da Prevenção dos Maus- tratos na Infância”.

Como professora destacada no IAC, no SOS Criança, tenho colaborado com a CPCJ Oriental de Lisboa, na qual o SOS Criança se faz representar por mim.

As actividades deste mês são dedicadas à sensibilização de crianças e jovens para os maus-tratos.

taken

Na sexta-feira, estivemos na Escola Secundária das Olaias a acabar de ver o filme Taken, aliás já visto por muitos dos alunos presentes.

A sala foi-se enchendo devagarinho e acabou cheia. Eram alunos dos cursos profissionais; a primeira sessão foi no princípio da semana e o comportamento destes alunos não foi bom. Provocadores, faladores com altas vozes, desinteressados, mas atentos…

Hoje nem pareciam as mesmas pessoas. Sentados ordeiramente, sem diálogos fora do contexto nem demasiado alto. Parece impossível, mas quando chamados a atenção de uma forma adulta, relativamente, ao uso dos telemóveis enquanto se via o filme, só um telemóvel ficou nas mãos de um rapaz, mas discretamente.

Quando se disse que não era proibido ter os gorros na cabeça, mas que dentro da sala de aula deveriam tirá-los, nem um ficou, todos foram tirados.

No final, uma das alunas disse que tinha sido melhor ver o filme do que estar com o telemóvel…

O filme foi visto até ao fim, sem a mínima perturbação.

No final houve um pequeno debate sobre o filme sendo que a questão principal era o roubo de raparigas, o tráfico e a exploração sexual.

O filme decorre debaixo de uma acção constante de tiros, murros e pontapés, o que também ajudou à atenção com que eles estavam. Algumas dessas cenas foram desmistificadas como sendo apenas da realização do filme e não da vida real.

Falou-se de uma telenovela brasileira que se desenrola à volta desta problemática.

No final foi debatido o facto de não serem só as raparigas que podem correr este perigo, mas também os rapazes.

O facto de serem a maior parte das vezes raparigas foi comentado com um “Pois é”, quando se falou no facto de também poderem ser os rapazes, já o comentário mudou de tom e com olhos de admiração disseram “Olha eu…”

Estes alunos, e tantos outros que vivem em condição de border line, sentem-se intocáveis e uns super heróis. Olha comigo, como se fosse impossível com eles acontecer alguma coisa. Servem-se deles para passar droga, para roubar, mas para uma rede de tráfico de mulheres, isso não porque eles não são otários.

É pena que o filme seja um desenrolar constante de violência e não nos diga nada em termos de emoções sobre as personagens. Não é também um filme que se dedique à causa das mulheres traficadas, mas só à procura desenfreada da filha de ex polícia.

Tem muito a desmontar com os jovens.

 

 

 

 

 

1 Comment

  1. Há que desmistificar os “menininhos”também poderem ser os rapazes, já o comentário mudou de tom e com olhos de admiração disseram “Olha eu”…Maria “

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