“DIGA TRINTA E TRÊS!” COMO VAI A NOSSA SAÚDE? por clara castilho

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Esta é uma frase que no nosso imaginário corresponde a tratamento médico.

Contato que as pessoas faltam a consultas marcadas (e como as marcações já são difíceis!), sobretudo em hospitais centrais, no que se refere à cidade e a idas a centros de saúde nas povoações deles mais distantes, por não terem dinheiro para os transportes. Este facto é comprovado, certamente com dados mais concretos, pelo presidente da Comissão da Saúde da Mulher, Criança e Adolescente,  Bilhota Xavier, que alertou para o facto de a crise ter vindo a levar muitas famílias a não frequentarem as consultas marcadas pelos médicos, com algumas a alegarem não ter dinheiro para o transporte e as refeições que estas deslocações implicam. Também o receio de que as ausências dos empregos possam fazê-los perder o posto de trabalho leva à não comparência. A estes factos juntou o aumento de casos de angústia e depressão infantil, devido às dificuldades das famílias. É na faixa etária das crianças em que se detectam os cada vez mais frequentes problemas de ansiedade, angústias e depressões.

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Numa outra área, a dos serviços de cuidados paliativos, no Serviço Nacional de Saúde, apenas 10% dos doentes foram referenciados para o apoio, segundo a Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP). “Cerca de 90% da população que precisa de cuidados paliativos em Portugal não os recebe”, assinalaram. Também, no que se refere a assistência a crianças que sofrem de doenças incuráveis, se verifica uma quase inexistência de serviços especializados em aliviar a dor de crianças.

No ano passado, o Instituto Nacional de Medicina Legal contabilizou um total de 1.057 suicídios em Portugal, o que perfaz uma média de 88 por mês. As principais causas que leva ao suicídio, de acordo com várias análises, são os quadros de depressão profunda, que conduzem as pessoas a sentimentos de angústia e desesperança, e que atingem 7,9% da população portuguesa.O consumo de medicamentos antidepressivos registou, também, um aumento na ordem dos 5% nos primeiros oito meses do ano, chegando aos 5,1 milhões de embalagens vendidas.

No dia 31 de março, a Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal e o Centro Regional de Segurança Social de Setúbal organizam o encontro “Saúde Mental em Foco”, no decorrer do qual foi apresentado o Programa Nacional para a Saúde Mental, por Álvaro de Carvalho, Diretor do Programa (pode ser lido no Portal da Saúde).

 Termina em 2014 o prazo dado pela troika a Portugal para que os medicamentos genéricos atinjam uma quota de mercado, no Serviço Nacional de Saúde, de 60%. Para a Ordem dos Farmacêuticos, é impossível atingir os 60% previstos percentagem que o Ministério da Saúde mantém como meta. A quota destes fármacos no Serviço Nacional de Saúde representou no primeiro semestre deste ano 38,9% — o que significa que cresceu 3,6% no espaço de 12 meses, com mais 5,7 milhões de embalagens vendidas.

Um bom local onde se pode analisar todos estes assuntos é no portal do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, constituído por uma rede de investigadores e instituições académicas dedicadas ao estudo dos sistemas de saúde: Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), o Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra (CEISUC) e a Universidade de Évora. As publicações têm o apoio da Associação de Inovação e Desenvolvimento em Saúde Pública (INODES) e da Fundação Calouste Gulbenkian. (http://www.observaport.org).

Se pedirmos a Portugal “Diga trinta e três”, penso que o retrato ficará muito mal.

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