EDITORIAL –  O NOSSO PAÍS

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Jorge Barreto Xavier, secretário de estado da cultura, no passado dia 7 de Abril, na entrega do Grande Prémio  do Romance e Novela APE/DGLAB, declarou à vencedora, Alexandra Lucas Coelho,  que devia estar grata ao governo deste país pelo prémio que estava a receber. Isto em resposta ao discurso da escritora, em que esta afirmou, entre outras coisas, que gostaria de  dizer ao presidente da república que o país  não é dele, nem do governo do seu partido. Também disse que não deve nada a este último. Mas leiam o discurso da autora de A Noite Roda, neste link:

http://www.publico.pt/cultura/noticia/discurso-alexandra-lucas-coelho-1631449

Jorge Barreto Xavier também terá acusado, já em privado, Alexandra Lucas Coelho de primarismo. Se lerem o discurso não a acharão nada primária, entendendo este termo como se aplicando a uma pessoa rude, que fala sem pensar no que diz, partindo apenas das suas emoções, enfim com o sentido que usualmente se lhe dá. Neste caso concreto podemos concordar ou não com o que Alexandra Lucas Coelho diz, ou interrogar-nos sobre o real significado de algumas das suas experiências, mas quem escreve aquele discurso é uma pessoa elaborada. Frontal, sem dúvida, mas primária não.  Barreto Xavier não sabia o que responder e disparou. Também declarou na sua resposta que a escritora devia agradecer por estar a viver em democracia. Pois, isso sem dúvida que é melhor do que viver em ditadura, mas uma das razões é porque assim podemos falar frontalmente com as pessoas, incluindo as dos escalões mais altos (sobretudo essas…) e dizer-lhes o que pensamos sobre elas, ou sobre outros assuntos delicados. Se não for assim, o que será democracia? E a  quem acha Barreto Xavier que se deve endereçar os agradecimentos? Ao Salgueiro Maia, ao Otelo? É duvidoso que estivesse a pensar nos capitães de Abril quando fez a afirmação.

Antigamente, o pessoal afecto ao regime, em épocas de maior agitação, recomendava que mandassem os contestatários embora, isto é, que fossem expulsos da terra onde nasceram. O facto é que a emigração foi uma opção de vida para muitos portugueses, forçados pelas más condições de vida. E continua a ser, hoje em dia. Embora, o governo, incluindo Barreto Xavier, diga que nunca aconselhou ninguém a emigrar. A verdade é que, quando alguém se sente obrigado a emigrar, pela miséria ou para não ter de ir à guerra, sente também que lhe estão a tirar alguma coisa.

 

 

 

2 Comments

  1. Admirável e respeitábilíssima a coragem dessa escritora que honra a sua profissão e a sua ética pessoal dizendo o que é preciso dizer aos que precisam aprender a ouvir.
    Brava, maravilhosa Alexandra Lucas Coelho, que lamento não ter conhecido pessoalmente em seus 3 anos de Brasil.
    abraço grande ao João Machado e, se possível,meus mais efusivos parabéns à exemplar escritora.

  2. Questões literário-científicas:
    Quem é o Jorge Barreto Xavier? De que manicómio ou instituição beneficente se evadiu? Como conseguiu atingir o grau de idiotia e sabujice evidenciado na intervenção? Como é que esta aberração chega a Secretário de Estado da Cultura (que, visivelmente não sabe o que é)? Quem é que o burgesso “acha” (dizer “pensa” seria ofensivo para a criatura) que é, para dizer a alguém com a dimensão intelectual da Alexandra Lucas Coelho o que “deve” sentir ou fazer? Este tipo de moluscos não se enxerga? Ao menos o suficiente para se manter discretamente alapado ao petrificado cérebro e não agitar, publica e freneticamente, a sua inanidade?

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