AQUI POSTO DE COMANDO – por Pedro Godinho

25 de Abril sempre

Não há 25 como o de Abril.

Por mais tempo que passe, por mais que aconteça, por maior que seja a desilusão ou irritação com o presente, quem viveu aquele dia, aqueles tempos, nunca o esquecerá.

Ali nasceu um novo país, um novo mundo.

O 25A mostrou a liberdade, e, também, o que pode ser a felicidade, a todo um povo, a todo o mundo. Poesia na rua, como plasmada na imagem e palavras de Helena Vieira da Silva e Sofia de Mello Breyner.

Quem viveu o “antes” sabe bem o que significava a opressão: o medo generalizado e permanente; todos, sempre e em todo o lado, com medo, medo atrás de medo, um medo sufocante, que fazia das pessoas invertebrados.

Daí a explosão de alegria e vida do 25A, que inundou a rua – rios à procura do mar onde desaguar – apesar dos apelos do movimento das forças armadas para que as pessoas ficassem em casa.

E foi essa faísca que transformou a revolta militar em revolução popular.

Foram os militares – oficiais, de patente intermédia, que não generais, estes para o serem tinham de ter pactuado com o regime – que tiveram a coragem de avançar – verdade que eram eles quem tinha as armas mas verdade também é que foram eles quem arriscou, presente e futuro – a vida mesmo -, quem fez o que precisava de ser feito, quem nos ofereceu a liberdade (nenhum agradecimento é de mais e por isso lhes estaremos sempre agradecidos, obrigado!).

Mas foi o povo na rua – a poesia – que fez do 25A o que ele se tornou, uma coisa melhor, a melhor coisa daquele nosso mundo: o primeiro dia do resto da nossa vida.

40 anos. Celebremos a efeméride, lancemos os foguetes, gritemos vivas, desfilemos pelas avenidas, mas sobretudo não esqueçamos.

Não esqueçamos o que era o “antes”, não esqueçamos como então fomos felizes, não esqueçamos que viver o 25A nos trouxe a responsabilidade de o manter vivo, no pensamento, no coração, na memória e na acção.

Todos temos, pelo menos, uma obrigação: a de contar a história, a nossa história e cada uma das histórias que vivemos e conhecemos, a de não deixar que a memória se perca ou adultere, a de não permitir que a história seja “institucionalizada” e que as pessoas e a pluralidade das suas vidas dela desapareçam.

O 25A é nosso, é a nossa vida, assim o continuemos a querer: Aqui Posto de Comando…

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