A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.

O primeiro livro saiu ainda em 1966. Foi a obra Cantares, de José Afonso, “a primeira recolha de textos cantados por esse grande renovador da expressão musical portuguesa”, como lembrou Simões no prefácio à 3ª. Edição da obra. O livro teve a coordenação de Manuel Simões e Rui Mendes, e perseguia o objetivo programático da editora de fazer interagir a consciência ética com a exigência estética, afirma Simões. Ele relembra que Zeca Afonso apoiou plenamente a ideia: “Pedido o consenso ao autor, então a lecionar na Beira, em Moçambique, a quem se tinha mandado, para eventuais correcções, a transcrição dos textos gravados a que era possível ter acesso, a sua plena adesão ao projecto constituiu uma motivação ainda mais encorajadora, sobretudo pelo envio de materiais inéditos, só mais tarde revelados entre nós, o que significava uma sintonia de opiniões quanto à validade da proposta e quanto à autonomia poética dos textos”.
Nesse mesmo ano saiu Hiroxima, uma antologia poética que trazia também depoimentos de poetas portugueses sobre o ataque atômico em 1945 às cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaki. O livro, coordenado por Loures e Simões, representava um claro ato político, como explicitam os organizadores no prefácio: “Numa altura […] em que hiroximas se estendem da África à Ásia […] o nosso silêncio responsabilizar-nos-ia perante o julgamento futuro das épocas de crise e sua explicação histórica”.
por Loures e Simões, em que os poemas e os depoimentos de poetas portugueses sobre a agressão norte-americana àquele país serviam também “para condenar a guerra colonial portuguesa, em ato desde 1961”, destaca Simões. Segundo dizem os organizadores no prefácio, nesta obra “o poeta revive as tarefas de resistir […]. E o seu verbo não esconde a acusação contra o gesto que envergonha a humanidade”.