A DESVITALIZAÇÃO DA VIDA, de MANUEL SIMÕES

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1

 

Conhecem só as letras mortas,

os lugares-comuns, a voz solta

 

sem peso, sem ardor latente

de transgressão da fala.

 

Não pressentem o engano, a fácil

imagem, falsa e doce

 

ilusão que investe, prepotente,

a indefesa credulidade que se cala.

 

2

 

Ai dos fracos de espírito, adoradores

do consumo como ideologia.

 

Deles será a terra prometida

crescendo à sombra dos telefilmes,

 

dos centros comerciais onde a vida

não se mede com inteligência.

 

Deles será o paraíso às avessas,

a desumana ordem que tudo banaliza,

 

Ai dos fracos de espírito, privados

cruelmente do poder da consciência.

 

 

(Do seu livro Errâncias, Lisboa, 1998)

 

Este poema do argonauta Manuel Simões já tinha sido publicado em 23 de Maio de 2011 no VerbArte, do blogue Estrolabio

Ver: http://estrolabio.blogs.sapo.pt/1437102.html

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