AINDA O 25 DE ABRIL DE 1974 VISTO POR CINEASTAS – OS DE OUTRAS NACIONALIDADES por clara castilho

9349741_b7nUl

Ficaram-me de fora dois filmes interessantes que penso poderem ainda terem interesse em ver. O primeiro e de Dabiel Edinger, com o título “Setubal ville rouge” e o segundo de Thomas Harlan, sobre a cooperativa “Torre Bela”-

SETUBAL VILLE ROUGE

Daniel Edinger  deixou-nos o documentário  Setúbal Ville Rouge, feito em Outubro de 1975, onde filmou em Setúbal plenários de comissões de trabalhadores, moradores, de soldados e cooperativas que defendiam o Poder Popular nessa cidade, através do comité de luta de Setúbal.

TORRE BELA

Documentário feito com a colaboração de portugueses, alemães e italianos sob a direcção Thomas Harlan, o cineasta alemão que veio a Portugal no “Verão quente” filmar a revolução.

Torre Bela, acabado em 1977, conta a vida na Quinta da Torre Bela, Manique do Intendente, na Azambuja, em Abril de 1975. Imagens aéreas captadas de helicóptero deixam adivinhar a imensidão dos 1.700 hectares da propriedade do duque de Lafões que no pós-25 de Abril foi ocupada por ex-trabalhadores agrícolas das aldeias das redondezas, prisioneiros políticos libertados e rufias, numa acção rara por decorrer no Ribatejo e por não estar, ao contrário das outras, ligada ao Partido Comunista.

CENAS DE LUTAS DE CLASSES

E relembro o filme de Robert Kramer, de 1977  – “Cenas de Lutas de Classes em Portugal” de que já aqui falei. Robert Kramer e Phillip Spinelle acompanharam-nos nos “anos quentes”. Trata-se de um documentário histórico a partir de montagens de filmagens de acontecimentos, com uma narrativa analítica.

Em entrevista realizada em 1975, a Thomas Brom, Kramer contava que se tinha deslocado a Portugal para apresentar o filme Milestonoes, a convite do Festival Nacional do Filme. Ficou de tal forma surpreendido com o acolhimento que os seus filmes por estas terras tiveram que acabou por ir ficando, bebendo o que se ia passando.

“Decidimos ficar e trabalhar juntos nesse filme. Contámos que apoios generosos de vários realizadores e técnicos portugueses, assim como de diversas forças políticas. Acabámos por conseguir 3 câmaras e material técnico fornecido pela televisão, com a contrapartida de poderem transmitir o filme quando acabado. Estivemos presentes em muitos acontecimentos. Fomos a plenários de moradores, manifestações…”

 

Leave a Reply