A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.

Ao longo deste mês de Maio, às terças-feiras, calha-me a tarefa de escrever uma crónica. Crónica “literária”, se possível. Falarei de poetas, de escritores amigos, que já não estão connosco – mas não será um “clube dos poetas mortos”- os poetas, os escritores, estão vivos enquanto alguém lê as suas obras, lhes recorda os versos ou as prosas. Até acontece o poeta só viver depois da morte de um correspondente comercial cujo corpo o escritor habitava. Bernardo Soares que o diga… Começo por um amigo de longa data – o poeta que confirmou que «isto anda tudo ligado».
bom poeta que o Eduardo foi. E mostro de novo a foto de Novembro de 1962, em Coimbra, da esquerda para a direita vemos o Egito Gonçalves, eu, o Eduardo e o António Cabral, ainda sacerdote católico. Fomos ali reunir-nos por questões políticas e culturais – a expansão do Centro de Cultura Ibero Americana, que pretendíamos alargar editando um boletim periódico multilingue (nos idiomas da Península a que juntaríamos resumos em francês e inglês). O Fèlix Cucurull esteve também connosco, mas tinha um compromisso em Lisboa que o obrigou a partir mais cedo. Na reunião que fizemos, o Eduardo ao ouvir ler o rascunho para o manifesto sugeriu que fôssemos mais explícitos na exposição dos objectivos. E exemplificou com uma tirada revolucionária. Ironicamente, o Egito, mais velho e experiente, diria – «Para eles não terem muito trabalho, escrevam à cabeça do documento – Somos marxistas! Somos marxistas!». Foi uma grande gargalhada. Mesmo sem sermos tão explícitos, anos depois, em Janeiro de 1965, o Círculo seria dissolvido e eu seria preso.