NATO vai cuidar da propaganda de Kiev – por José Goulão

Transcrito de Jornalistas Sem Fronteiras

Imagem1Uma fonte do Quartel General da NATO em Bruxelas confirmou que a aliança criou um grupo de trabalho para estabeler as linhas de propaganda do governo da Ucrânia na perspectiva da ofensiva militar para estender o controlo efectivo a todo o país.

“Não me parece que seja a forma mais expedita e eficaz”, comentou a mesma fonte, “porque nem a estratégia da ofensiva é fácil de defender e explicar nem o sistema de informação da NATO, em minha opinião, tem sabido lidar convenientemente com o tipo de intervenção na Ucrânia, e o que aconteceu a propósito da delegação da OSCE em Slaviansk fala por si”.

Tudo indica que o grupo de trabalho irá retomar métodos utilizados durante a guerra fria, por exemplo a criação de canais de rádio e televisão dedicados à propaganda. “Acho que o aparelho da NATO está demasiado preocupado com o facto de não conseguir esconder em absoluto, na informação internacional, o papel que os grupos fascistas desempenham na actual política ucraniana, pelo que vai caír mais uma vez no erro de assassinar o mensageiro”, segundo o diplomata em serviço na NATO. “O problema não é esconder a presença de fascistas; o problema é que a estratégia assenta em grupos fascistas, e desse pecado original já não há ninguém que nos salve”, acrescentou.

O envolvimento da NATO no golpe de Estado em Kiev e nos acontecimentos dele decorrentes é a restauraçação do caminho estabelecido em 2008 entre a Aliança Atlântica e a então chamada “Coligação Laranja” da primeira ministra Iulia Timochenko. A Carta de Parceria Estratégica assinada então pelas duas partes estabelece que “o aprofundamento da integração da Ucrânia nas instituições euroatlânticas é uma prioridade comum”. Trata-se, lê-se no documento, “de melhorar a cooperação securitária de modo a aumentar as capacidades defensivas da Ucrânia e de reforçar os seus direitos de candidatura a uma entrada na NATO”. A Comissão NATO-Ucrânia estabelera em 4 de Abril de 2008 que “a Ucrânia se destina a tornar-se membro da NATO”. Na Carta da Parceria lê-se tambémque a aliança e a Ucrânia querem “eliminar as ameaças contra a estabilidade e a paz mundiais” através “da defesa e a segurança nesta região do mundo”.

Afinal a “revolução euro-Maidan” não implicava apenas a entrada em Kiev da metodologia da troika, mas também a da NATO – como está escrito há meia dúzia de anos.

José Goulão, Bruxelas 

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